Bagan, Myanmar



Por Luciana Calvo.

Mingalarbar! Bem-vindos à cidade dos templos budistas! São mais de 2.200 templos construídos entre os séculos XI a XIII, tanto por reis, rainhas, quanto pela população geral.




Desembarcamos no aeroporto de Nyaung – U (NYU) num voo proveniente de Yangon (RGN) com a Air KBZ. Foi um voo tranquilo de aproximadamente 1h15m.

A escolha da cia aérea deveu-se ao fato de que era uma das únicas, à época da reserva, a disponibilizar a aquisição de bilhetes online.

Logo na entrada, a primeira surpresa que temos é ter que pagar uma taxa de 25.000 kyats (apenas a moeda local é aceita). A cotação do câmbio nesse aeroporto é muito ruim, por isso, se estiver vindo de outra cidade, traga o dinheiro. Essa taxa é para podermos percorrer todo o sitio arqueológico da região.


Fonte: Maps Google

A região de Bagan compreende as cidades de (vide mapa acima):

a. Nyaung U, onde fica o aeroporto e onde a maior parte dos turistas se hospeda; 

b. Old Bagan, local original da vila Bagan, onde estão os templos mais importantes; e 

c. New Bagan, para onde os moradores locais foram remanejados em 1990. 

Contratamos um guia para ficar conosco os 3 dias (ele cobrou 370 USD). Apesar de estar bem elogiado no TripAdvisor, não vou recomendá-lo! Ele deixou um pouco a desejar, atrapalhando-se com o Roteiro.  A empresa chama-se Enjoy Bagan Day Tour.




Nós ficamos hospedados no Hotel Thande, em Old Bagan. A reserva foi feita pelo booking.com e o preço foi de 360 USD por 3 diárias para o casal com café da manhã. As diárias foram cobradas antecipadamente. O hotel é bom, tem um bom restaurante e fica às margens do Rio Ayeyarwady. Os quartos em que ficamos são antigos, mas há opções de quartos mais novos. Ponto negativo, na minha opinião, foi a ausência de boxes nos chuveiros, o que faz molhar boa parte do banheiro.

Dia 1

No primeiro dia fizemos um tour por vários templos menores e subimos em alguns para ter a vista panorâmica do sítio arqueológico. A escolha da grande maioria dos templos ficou por conta do nosso guia. Entretanto, cada templo é único e tem a sua beleza.





Independentemente de qual você visitar, tenho certeza que ficará encantado e, como você pode imaginar, é impossível conhecer todos.

No final do post, deixo algumas informações sobre os mais importantes e famosos.

Com relação a esses templos menores, não me lembro os seus nomes, mas alguns foram bem interessantes, pois tinham afrescos relativamente preservados.

Entretanto, infelizmente, o governo não fez restaurações adequadas e cuidadosas na maioria dos templos. Nalgum deles, existem imagens de budas muito recentes no local das que foram destruídas, descaracterizando o local. Isso foi bastante questionado pela UNESCO e talvez tenha sido um dos entraves para que Old Bagan fosse mais um Patrimônio Cultural da Humanidade.

Achei interessante que alguns desses templos são cuidados por famílias locais. Não sei se elas recebem algo ou até mesmo se pagam algo para o governo. Em algumas vezes, nosso guia solicitou a abertura das entradas de acesso para que pudéssemos subir as escadas.





Nesse primeiro dia, fomos conhecer a Minnathu Village. Uma pequena comunidade de aproximadamente 600 famílias que praticam a economia de subsistência. As principais atividades econômicas são a agricultura e o artesanato.




A vila não possuía eletricidade até uns 2 meses atrás. Existe no local um Posto de Saúde para atender a população uma vez por semana. O médico atende uma vila por dia. Vale a pena conhecer para se ter uma noção da realidade! Apesar da pobreza, o sorriso e a simpatia eram constantes.

Um passeio muito recomendado é assistir ao por do sol de um templo. Acredito que todos eles tenham uma vista espetacular. Os mais famosos são os mais lotados também. Pergunte a algum local qual é o preferido dele e se entregue. Você não vai se arrepender!

Dia 2

No segundo dia, nosso guia nos levou para conhecer Pakkoku, uma cidade próxima a Bagan. Uma furada! 

A cidade é muito pobre e, diferentemente de Bagan, não estava acostumada a ver turistas. As pessoas nos viam com estranheza. Ele levou-nos ao mercado local, sem nenhum atrativo, almoçamos num restaurante horrível e, no final, fomos visitar a Thihoshin PagodaO templo, apesar de bonito e interessante, não vale o deslocamento.

Sugiro que, nesse segundo dia, você faça o passeio do balão (falo dele em um outro tópico), volte para o hotel para descansar um pouco e depois, desbrave Old Bagan de bicicleta ou de motocicleta. Visite cada templo no seu ritmo, descubra caminhos, interaja com locais e sinta toda a energia da cidade!

Dia 3




No terceiro dia, fizemos um passeio para o Monte Popa

Você pode faze-lo pela manha e aproveitar a tarde para visitar mais algumas pagodas em Bagan. Saia bem cedo a tempo de voltar para almoçar em Bagan  e visitar mais alguma atração do sitio arqueológico.

A viagem até lá dura aproximadamente 1h30min. O local onde o templo fica é horroroso. Foi lá que conheci o pior banheiro da minha vida. Sujo é pouco! Mas, enfim, independente de tudo isso, é o único disponível e você vai usá-lo!



O templo tem 2 acessos principais. Pode subir por um e descer pelo outro. São 770 degraus até o topo e a subida deve ser feita com os pés descalços. Além dos outros turistas e população local, você fara todo o  trajeto  acompanhado por macacos! Mas a vista lá de cima compensa... 




Apesar de terem nos recomendado cuidado com óculos, bolsas e celulares, os macaquinhos estavam bem comportados perto de outros que conheci em Bali e Kuala Lumpur. 

Apenas ressalto para não levar nenhum tipo de alimento consigo... eles realmente vão atrás para pegá-lo.

As fezes dos macacos estão espalhadas por toda a escadaria, mas existem pessoas limpando o chão  em troca de pequenas doações... 

Cheque se seu guia está levando lenço umedecido e antisséptico para limpar os pés.... ou, leve-os você, pois não terá onde comprar.

A vista de lá de cima é bonita, mas achei muito mais interessante  a  vista do próprio templo em cima da montanha (peça ao motorista para parar alguns Km antes de chegar lá para bater essa foto)

Dependendo do seu interesse, você pode encerrar sua viagem por aqui! Foi o que fizemos: ficamos 3 dias em Bagan e fomos embora no 4 dia bem cedo, mas, existem pessoas e relatos que falam em ficar  5 – 7 dias na cidade. Com certeza , templos você terá de sobra para conhecer!

PASSEIO DE BALÃO

Imperdível!

A temporada é de outubro a março. Nos outros meses é muito quente e sujeito a chuvas, por isso não há sobrevoos.



Recomendamos a empresa Ballons over Bagan que possui dois tipos de passeios: standard e premium. A diferença entre eles é o número de pessoas na cesta do balão e um transfer VIP na segunda opção. É importantíssimo reservar os passeios com antecedência!

Apesar das recentes restrições impostas pelo Governo (os balões não podem mais sobrevoar os templos, atualmente eles apenas os circundam), a experiência é incrível... a energia é única... o sol nascendo em meio a tantos templos é um espetáculo!



Saímos do hotel em torno das 5:40 AM e fomos recepcionados com café, chá e umas bolachinhas, enquanto esperávamos a preparação dos balões. Recebemos um briefing de segurança e nos dividimos em grupos de 4. Cada balão comporta 16 pessoas e custa 340 dólares por pessoa.




O voo dura aproximadamente 50 minutos e, no final recebemos uma taça de champanhe, um certificado de voo, um boné e a possibilidade de comprarmos uma foto que foi tirada durante o voo.

Diferentemente da Capadócia, os balões de uma mesma companhia tem todos as mesmas cores. Lembro-me de ter visto verdes e marrons.... é interessante pois eles se misturam com a paisagem mas por outro lado perde-se o colorido magico que presenciamos na Turquia. Leia nosso relato de viagem à Capadócia aqui.

TEMPLOS

Aqui, deixo registrado os templos mais famosos. Afinal, são mais de 2000 templos à sua disposição.

Shwezigone pagoda




O Shwezigon é impressionante! É o complexo religioso mais importante da cidade. Parece-se muito com a Shwedagon Pagoda em Yangon, e ainda é utilizado pela população local. La, você encontrara uma enorme estupa dourada e os 37 NAT que são espíritos reverenciados no local (mas não entendi muito a história deles não).

Sulamani




É um dos templos mais visitados em Bagan, inclusive com alguma estrutura turística em volta, onde é possível comprar lembranças em Laca (qualidade duvidosa), pinturas feitas com areia e marionetes.

Foi construído em tijolos vermelhos e parece um castelinho. Como a maioria dos templos, possui uma imagem de buda em cada um dos pontos cardinais, representando os 4 budas que já existiram.

Dhammayangyi




Esse é o maior templo de Bagan. Existe uma lenda acerca desse templo. Parece que foi construído pelo Rei Narathu para ser perdoado por ter mandado assassinar seu pai e irmão para ficar com o trono. A ordem era para que os tijolos fosse colocados tão juntos de forma que nem uma agulha passasse entre eles. Os construtores que não cumpriam a ordem eram castigados (não lembro se tinham os braços cortados ou se eram assassinados mesmo)

Ananda




Também é muito famoso entre os turistas e bastante visitado.

O Templo de Ananda localizado em Bagan, Myanmar é um templo budista construído em 1105 d.C. durante o reinado do rei Kyanzittha(1084-1113) da dinastia Pagan. É um dos quatro maiores templos em Bagan. A disposição templo é em cruciforme com vários terraços que conduzem a um pequeno pagode no topo, coberto por um guarda-chuva conhecido como hti, que é o nome do guarda-chuva ou enfeite encontrado no topo em quase todos os pagodes em Myanmar. O templo possui quatro Budas em pé, cada um voltado para as quatro direções cardeais, leste, norte, oeste e sul. (Fonte: Wikipedia)

Thatbyinnyu Phaya


É considerado o templo mais alto de Bagan, entretanto, para preservar seus afrescos não é permitido subir nos pisos superiores.

O templo tem a forma de uma cruz, mas não é simétrico.A estrutura se assemelha a dois imensos cubos sobrepostos.Ele possui dois pisos, e se diferencia dos outros grandes templos por não possuir nenhuma estátua de Buda na sua entrada principal.Uma estátua restaurada do Buda sentado, com a mão direita tocando o solo, na clássica posição de Bhumisparsa, encontra-se no segundo andar com a sua face virada para o leste. Não existem porém dados de quando a restauração foi realizada. (Fonte: Wikipedia)


DICAS



1. É necessário tirar o sapato para entrar em todos os templos, por isso, sugiro que vá de chinelo!

2. Em muitos templos há fezes ou de macaco ou de morcego, por isso, sugiro ter sempre a mão lenços umedecidos ou antissépticos.

3. A cerveja local Myanmar é muito boa, principalmente para aplacar  o calor intenso. Costumam estar disponíveis também a Tiger e a Dagon (um pouco mais forte).

4. Fuja dos vinhos locais: são os piores que já tomei em minha vida! E o preço é o mesmo que os vinhos importados da França ou Austrália.

5. Não deixe de fazer o passeio de balão! Vale muito à pena! Mas, lembre-se de reservar com antecedência.

6. Deixe pelo menos um período para passear de bicicleta, no seu ritmo, explorando cada pedacinho de Old Bagan.


RESTAURANTES



1. Restaurante Indiano (Aroma): comida extremamente apimentada, embora saborosa. A limpeza era um pouco questionável.





2. La Terrazza: restaurante italiano (a proprietária também é a chef e muitas vezes vem da cozinha para conversar com os clientes). A comida é boa (não tem pimenta J), o ambiente limpo e agradável! Só preste atenção se for pedir risoto.... não é feito com arroz próprio (mas a chefe vem na mesa explicar isso)





3. Restaurante do Hotel Thande: ficamos nesse hotel e ele tem um por do sol belíssimo! O restaurante fica na beira do Rio Ayeyarwady, onde é possível apreciar um incrível por do sol. A comida é bem gostosa, principalmente a sopa e o risoto. Vale a pena experimentar.




4. La Pizza: como o próprio nome diz, o restaurante é especializado em Pizza. O restaurante é um pouco mais caro.
        

Com exceção do restaurante do Hotel Thande, que fica em Old Bagan, os demais ficam em Nyaung-U.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Booking.com