Relatos de Viagem - Istambul, Turquia



Istambul, a antiga Constantinopla, é nosso destino turístico favorito. A porta de entrada da Turquia é uma cidade que contempla arte, história, religiosidade, beleza natural, e uma excelente gastronomia. Situada nos continentes europeu e asiático, é Istambul que aproxima o ocidente e o oriente, com a sua incrível riqueza cultural.

Já visitamos Istambul várias vezes desde 2011. Na última vez, em dezembro de 2015, foi quando tivemos uma das mais proveitosas experiências de viagem, passando apenas 4 dias nesta incrível cidade. Contamos tudo para você neste post.

Em Istambul, você pode visitar as principais atrações usando os meios de transporte públicos (tram, ônibus, trem, metrô e barco), sem necessitar alugar um veículo ou contratar um tour.





Nesta metrópole, os serviços como hospedagem, alimentação e transporte costumam ser mais baratos que os das capitais europeias. Quanto aos produtos, é importante barganhar, especialmente nos bazares, que, por serem muito visitados por turistas estrangeiros, costumam ter os preços mais inflacionados.

Dia 1

Desembarcamos cedo no Aeroporto Atatürk em Istambul (4:30hs), vindo de Guarulhos com conexão em Doha (DOH) pela Qatar Airways. Existe um voo direto diário entre Guarulhos (GRU) e Istambul (IST) pela Turkish Airlines.

Istambul tem dois aeroportos principais, o Atatürk (IST), situado no lado europeu, e o Sabiha Görkçen, no lado asiático.

Para ir e chegar ao Aeroporto de Atatürk, o turista tem basicamente três opções: metrô, ônibus e taxi. 

Ir de metrô é a forma mais conveniente, na nossa opinião.  A estação Havalimani (que significa aeroporto em turco) da linha vermelha do metrô está situada no subsolo do aeroporto. De lá é possível ir para a região de Sultanahmet, bastando fazer uma conexão em Zeytinburnu e pegar o tram. É também possível ir a Taksim, bastando fazer uma conexão em Yenikapi e pegar a linha verde.





Recomendo aos usuários de transporte público em Istambul que comprem o Istanbulkart ou Akbil, que é um cartão de transporte recarregável que pode ser usado em diversos meios de transporte na cidade, incluindo, barcos, tram, trem e ônibus. Além de ser conveniente, pois o usuário não necessita comprar tokens ou pagar com dinheiro a viagem, é também mais econômicos, pois as tarifas são mais baratas usando este cartão.

Se quiser ir para a região de Taksim, talvez seja mais conveniente pegar um ônibus do aeroporto Atatürk. O trajeto leva de 45 a 60 minutos com o Havataş Airport buses.

O metro de Istambul abre apenas às 6hs. Aguardamos no aeroporto, tomando um café na Starbucks. Chegamos no hotel Eurostars, nas proximidades da estação Sirkeci, às 7hs e conseguimos um early check-in!


O hotel está muito próximo da região de Sultanahmet, onde se  concentram as principais atrações turísticas de Istambul. Nas proximidades do hotel também há diversas lojas, docerias, cafés e restaurantes. O quarto é limpo e confortável. O atendimento é excepcional! O hotel disponibiliza wi-fi gratuito. O café da manhã é variado e gostoso para os nossos paladares. Há uma academia, mas é bem simples e pouco utilizada. É a nossa recomendação de hotel em Istambul. Leia aqui.

Cansados, dormimos um pouco e começamos a nossa jornada.




A primeira parada foi no Bazar de Especiarias, na região de Eminonü, a poucas quadras do hotel.

O Bazar de Especiarias, também chamado de Mercado Egípcio (Mısır Çarşısı), é um dos maiores e mais antigos mercados de Istambul. Está localizado nas proximidades da Ponte Galata e da Nova Mesquita (Yeni Cami) na parte baixa de Eminonü. As pequenas lojas do bazar vendem temperos e condimentos de diversos tipos, doces conhecidos como delícias turcas (Turkish Delight), roupas, lenços, produtos e acessórios de mesa, sabonetes, dentre outros.

Se você tiver interesse em comprar algo, recomendo barganhar. Como é um local turístico, os preços são mais inflacionados e os vendedores costumam te abordar constantemente pelo mercado. Para nós, o bazar é mais um local de visitação que um mercado de compras propriamente dito.

Depois do bazar, visitamos a famosa Ponte Galata.




Ponte Galata fica sobre o estuário chamado de Golden Horn e liga duas partes europeias de Istambul (Eminonü e Karaköy). A ponte tem dois pisos. No piso superior, transitam pedestres, veículos e o tram que dividem o espaço com os pescadores e suas varas de pescar. O piso inferior está repleto de restaurantes em ambos os lados. É recomendável sentar num dos restaurantes e apreciar o por do sol e o ir e vir dos barcos.

Pegamos o tram na estação Karaköy até a estação Kabataş, de onde fomos caminhando até o Dolmabahçe Palace (5 minutos).

O palácio Dolmabahçe é um complexo de edifícios situados na margem europeia do Bósforo. Construído no século XIX pelo Sultão Abdülmecid I, foi o principal centro administrativo do Império Otomano até 1922. Mustafá Kemal Atatürk, líder moderno da Turquia, também utilizou o Palácio nos seus últimos dias de vida.




São basicamente dois os edifícios que deverão ser visitados: o Selamlik e o Harem

O Selamlik era o edifício público onde o Sultão recebia as autoridades, diplomatas e outros visitantes importantes. Os salões são magníficos e merece destaque um lustre de 700 lâmpadas que decora o salão central. Pesa 4,5 toneladas e é o maior lustre de cristal da bohêmia, tendo sido presente da rainha Victoria do Reino Unido.

O Harem, por sua vez, era um edifício privado onde vivia a família do Sultão, suas esposas e filhos. 

As visitas são guiadas. Não é permitido tirar fotos ou filmar no interior destes edifícios.
De qualquer forma, os jardins e arredores do palácio, inclusive a vista para o Bósforo, são muito bonitos e dão excelentes fotos. 




Retornamos à região de Sultanahmet e jantamos no restaurante Million Café, que fica bem próximo à estação de tram “Sultanahmet”.

Provamos Meatballs e Kebab com Pistache. O restaurante é bom e tem preços razoáveis.

O que incomoda muito é a abordagem feita aos turistas pelos funcionários dos restaurantes. Se você demonstra interesse, eles são insistentes, falam muito e não param de falar ...

Dia 2




Após o café no hotel, fomos caminhando a Sultanahmet visitar a Cisterna da Basílica (preço 20 TL). Muito interessante!

A cisterna da Basílica é a maior das dezenas ou centenas de cisternas construídas em Istambul durante a época bizantina e encontra-se perto da Basílica de Santa Sofia. Construída em poucos meses, no ano 532, utilizando 336 colunas romanas procedentes de templos pagãos da Anatólia, a maioria de ordem coríntia. Ocupa uma área de 10 000 m²,tem 8 metros de altura e capacidade para 30 milhões de litros. Foi utilizada até finais do século XIV como cisterna de água e a meados do século XIX foi restaurada depois de ser usada como armazém de madeira. A cisterna foi construída para evitar a vulnerabilidade que significava para a cidade que durante um assédio fosse destruído o Aqueduto de Valente (fonte: Wikipedia).

É interessante falar em Basílica num país majoritariamente muçulmano. Mas é bom lembrar que a Basílica de Santa Sofia (Hagia Sophia) e a Cisterna foram construídas na época bizantina, ou seja, na época de continuação do império romano no Oriente, cuja capital era Constantinopla, atual Istambul. Em 1453, houve a queda de Constantinopla, com a invasão dos turcos otomanos, que eram muçulmanos. A Basílica de Santa Sofia foi uma mesquita desde 1453 a 1931, quando se transformou em um museu.
A região de Sultanahmet é repleta de atrações turísticas. As que mais se destacam são: a Mesquita Azul, o Palácio Topkapi, a Museu da Hagia Sophia, a Cisterna da Basílica, o Hipódromo, o Parque Gülhane, o Parque Sultan Ahmet, o bazar Arasta, diversos restaurantes, lojas e galerias de arte. Portanto, é muito interessante se hospedar nas proximidades de Sultanahmet.




Fomos visitar a mesquita Sultan Ahmet, que também é conhecida como mesquita Azul, em razão dos azulejos azuis que adornam as suas paredes. 

É a maior mesquita de Istambul e constitui, em verdade, um complexo com túmulos, escolas, bazar, banhos e um hospital. A mesquita Azul é uma das poucas mesquitas com 6 minaretes, que são estas torres laterais. É nestes minaretes onde estão os autofalantes que transmitem as orações, que todos os visitantes de Istambul vão acabar ouvindo de longe..

A mesquita está aberta à visitação, mas o acesso para não-muçulmanos é restrito a determinados locais e horários. Fique atento aos horários. Os visitantes devem tirar os sapatos e coloca-los num saco plástico. As mulheres devem cobrir a cabeça com um véu (hijab). A entrada é gratuita, mas aceitam-se doações.

Fique atento: na entrada da Mesquita você inevitavelmente será abordado por um jovem simpático que perguntará de onde você vem e coincidentemente terá um primo, tio ou irmão que vive ou viveu na sua cidade.... ele quer engatar uma conversa e quer convence-lo a visitar a loja de tapetes da família que fica naquela região. É só ser firme e dizer que tem alergia a carpetes J

Fomos de tram novamente até Kabataş, onde pegamos um Hop-in Hop-off de barco pelo estreito de Bósforo (15 TL). O passeio pelo Bósforo é simplesmente indescritível. 




Muito bonito ver mesquitas e construções históricas às margens do Bósforo.

Entretanto, os pontos de parada do barco estavam longe das atrações mais interessantes.

Paramos no Emirgan Park, que é um parque muito agradável para apreciar.




O parque Emirgan é um parque urbano situado na parte europeia de Istambul. Contém plantas de mais de 120 espécies, trilhas de caminhada, mesas de picnic, fontes e mansões. No parque, também há um restaurante de comida turca (Sari Kosk), bem avaliado.






O único ponto negativo é que há um pequeno morro para subir para chegar às principais partes do parque.

Nas proximidades do parque, na parte baixa, está o Museu Sakip Sabanci, que é um museu de belas artes privado da Universidade Sabanci.

A coleção do museu inclui porcelana chinesa, alemã e austríaca, objetos representativos da caligrafia otomana, cartas e outros documentos. Há, ainda, uma coleção de 320 obras de arte otomana e europeia, mobiliário europeu e turco, relojoaria e joalheria de arte, e diversos tipos de antiguidades ocidentais e orientais (Fonte: Wikipedia)



Almoçamos no restaurante Sütis, onde provamos Pide e o Iskender Kebab. Comida boa e preço razoável.

Pegamos novamente o barco e paramos na estação do Palácio BeyLerBeyi, antiga residência imperial dos Sultões no lado asiático, mas o mesmo estava fechado.

Pegamos, então, um ônibus para Üsküdar e depois o Marmaray para retornar o hotel.

À noite, jantamos no Kerman Hotel. Provamos sopa de lentilha e pide de frango. O restaurante é bem localizado, o atendimento é bom, mas a comida é apenas razoável (nada especial).

Já alimentados, fomos passear no Gran Bazaar e nas lojas próximas.

O Gran Bazaar é um mercado enorme, com diversas entradas, lojas, ruas internas, onde é muito fácil se perder. É, sem dúvida, uma das principais atrações de Istambul, mas, por ser muito turístico, os seus preços costumam estar inflacionados. Há produtos de todos tipos, como delícias turcas, cerâmicas, tapetes, especiarias, etc.

Fizemos uma visita rápida mas eu poderia ter passado o dia inteiro lá dentro...

Da mesma forma que o Bazar de Especiarias, o Gran Bazaar é um lugar para se visitar, mas não para comprar. Particularmente, eu prefiro fazer compras nas lojas adjacentes.

O Gran Bazaar está localizado em frente à estação de tram Beyazit, mas dá para ir caminhando tranquilamente de Sultanahmet até lá, mesmo no período noturno.

Dia 3



A primeira atração visitada do dia foi o Castelo Rumeli (Rumeli Hisari), que virou inspiração para uma música do compositor turco Can Atilla (Saiba mais).

Situado num morro na margem europeia do Bósforo, é uma fortaleza construída pelo Sultão Otomano Mehmed II em 1452, antes de seu exército conquistar Constantinopla. Construída numa das partes mais estreitas do Bósforo, seu objetivo foi impedir que as forças ocidentais viessem a ajudar Constantinopla vindas pelo Mar Negro.



Infelizmente, não é possível subir nas torres do castelo. Mas, na parte mais alta da fortaleza, pode-se ter uma vista interessante do castelo e da segunda ponte sobre o Bósforo.

Para chegar lá, pegamos o ônibus 25E a partir da estação de tram Kabataş.

De lá, retornamos e fomos para Ortaköy, onde fica a mesquita de Ortaköy. A região é cheia de pequenas lojinhas, cafés e restaurantes. A mesquita, apesar de pequena, é lindíssima, excepcional, imperdível!




De Ortaköy fomos caminhando até o hotel Ciragan. O hotel é de altíssimo nível e desistimos de almoçar lá pois não cabia nos nossos bolsos.

De lá, pegamos um taxi para a Taksim Square e Istiklal Caddesi. Almoçamos num restaurante muito ruim numa das travessas da Istiklal Cd., nem vale à pena mencionar o nome.

À noite, fomos ao restaurante Old Ottoman Café. Simplesmente excepcional! Atendimento, comida, vinho...tudo de bom! Seguimos as sugestões do dono do restaurante que nos atendeu pessoalmente. Eu provei uma Especialidade Otomana (42 TL). A sobremesa foi por conta da casa. Eu vou voltar!




Dia 4




Neste último dia em Istambul, tivemos uma agradável surpresa. Depois de dias de sol, nevou!

Nossa viagem seria à noite, portanto, resolvemos, de manhã, visitar a Mesquita Suleymanie, a segunda maior de Istambul, construída no século XVI.





Situada numa colina de Istambul, no bairro de Eminonü, ela proporciona uma incrível visão do estreito de Bósforo e do Golden Horn.




Após visitar a mesquita, fomos até à parte baixa de Eminonü, sem, no caminho, deixar de passar por lojas de tapetes, bolsas, e fazer algumas comprinhas é claro...



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Fomos almoçar no Mr. Cook, bem avaliado no Tripadvisor. O restaurante tem um ambiente agradável, bom atendimento, mas a comida é só razoável. Provamos Sopa de Lentilha e Mousaka de Carneiro, mas o gosto estava muito forte.

Deveria ter voltado ao Old Ottoman Café...

Voltamos pro hotel, hora de pegar as malas e voar para Singapura, com aquele sentimento de vamos voltar...

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