Relatos de Viagem: Mostar, Bósnia-Herzegovina



Como já falamos no post anterior, Mostar é a principal cidade da Herzegovina, uma região ao sul do país, com 106 mil habitantes. É banhada pelo Rio Neretva, onde está o símbolo e cartão postal da cidade: a Ponte Velha de Mostar (Stari Most).




Mostar foi palco de uma das guerras mais brutais ocorridas recentemente no continente europeu: a Guerra da Bósnia. A guerra durou de 1992 até 1995, teve mais de 100 mil mortos e 2 milhões de refugiados. Na cidade, é bem provável que você converse com alguém que tenha sido refugiado à época.









Com a desintegração da Iugoslávia, cada um dos diversos grupos que habitavam a região (sérvios, croatas e bosniaks) queria manter ou ampliar a sua área de dominação. Já falamos no post anterior que o país é integrado por Católicos Ortodoxos (de origem sérvia), Católicos Romanos (de origem croata) e Muçulmanos (Bosniaks). Numa primeira fase da guerra, os bósnios lutaram em conjunto com os croatas contra os sérvios e, numa segunda fase, lutaram contra os dois.


Se você for visitar Mostar ou Sarajevo, recomendo muito ler um pouco sobre a Guerra da Bósnia. A guerra foi retratada no Filme Terra de Ninguém (2001), ganhador de vários prêmios internacionais. Isso vai ajudar compreender muito do que aconteceu por ali. A lembrança da guerra está presente em vários dos seus habitantes, inclusive, do Sr. Amoh, gerente do nosso hotel (Motel Argentum), que até se emociona ao falar daquela época.





Mas, Mostar renasceu, reconstruiu-se e hoje é uma cidade viva, alegre e com habitantes extremamente felizes e receptivos. Incrível como aconteceu em tão pouco tempo (pouco mais de 20 anos). É um destino turístico bom, bonito e barato!

Seriam os ventos da União Européia? A propósito, Bósnia-Herzegovina não integra, ainda, a União Europeia, mas é reconhecido pelo bloco como um potencial candidato a fazer parte.

Dica: Brasileiros e Portugueses não necessitam de visto de turista para conhecer o país.

As principais atrações da cidade são a Ponte Velha, a Cidade Antiga e os seus Museus.




A Ponte velha de Mostar (Stari Most), sobre o Rio Neretva, é o cartão postal da cidade. Foi construída no século XVI, durante o império otomano, mas destruída durante a guerra da Bósnia em 1993. 







A ponte tem uma importância muito grande para os habitantes. É um símbolo de união entre Croatas e Muçulmanos (Bosniaks), povos que convivem por lá. Sua reconstrução e reabertura se deu em 2004, com apoio de instituições como a Unesco e o Banco Mundial.





Conta-se, ainda, que foram buscar as plantas da ponte em Istambul, na Turquia, para ajudar na reconstrução do símbolo da cidade. 





É muito comum ver jovens pulando da ponte no Rio. É arriscado! São 24 metros de altura e o rio tem aprox. 5 metros de profundidade. A Red Bull costuma fazer campeonatos de saltos no local, colocando plataformas ainda mais elevadas.




A cidade antiga é repleta de lojas de artesanato, restaurantes, museus e mesquitas. As ruazinhas são feitas de pedras e são apenas para pedestres e ficam em ambos os lados do rio.








Caminhando pelas ruazinhas, você irá perceber muita influência turca, seja nos pratos típicos, seja no artesanato, ou ainda, na arquitetura. A região foi ocupada pelo Império Otomano entre os séculos XV e XIX. Mostar me lembrou bastante Istambul, na Turquia, que é o meu destino turístico preferido.




“No século XV, a região foi invadida pelos Turcos Otomanos e depois de várias batalhas, tornou-se uma província turca. Durante o século XVI e o século XVII, a Bósnia foi um ponto estratégico nos conflitos constantes contra os Habsburgos e contra Veneza. Durante este período, a maior parte da população converteu-se ao Islã. (...) Depois da Guerra russo-turca de 1877–1878, a Bósnia e a Herzegovina fizeram parte do Império Austro-Húngaro, tendo sido anexadas formalmente em 1908.”  (fonte: wikipedia)




Chama a atenção os objetos feitos de projéteis que estão presentes em quase todas as lojas de artesanato local. 




Quanto aos Museus, dois museus merecem destaque na cidade. O primeiro é o The Hammam Museum, que é uma antiga casa de banho turcos, e o Museu da Stari Most, que exige a história da ponte velha e permite uma entrada às escavações subterrâneas.




Nesse dia, percorremos a cidade antiga, suas diversas lojinhas, e fomos visitar uma Exposição de Fotos da Guerra da Bósnia (War Photo Exhibition), ao lado da ponte velha, na Torre Helebija.




A exposição é pequena, são dois andares, mas permite ver um pouco do dia-a-dia da cidade durante a Guerra da Bósnia. 








As dificuldades da cidade sem energia elétrica, sem água e sem comida foram retratadas pelo fotógrafo Neozelandês Wade Goddard. A visita vale a pena e custa em torno de 3 Euros.







No almoço, fomos ao Restaurante Tima-Irma. Comida bósnia deliciosa e bem servida. Fica próximo ao Sadrvan e à Ponte Velha. Recomendo!









A propósito, os dois melhores restaurantes de Mostar são o Tima-Irma e o Sadrvan.






E não deixe de provar os deliciosos sorvetes locais!

À tarde, fomos fazer algumas compras no Shopping Center Piramida, o principal centro comercial da cidade. O shopping não é muito grande. Há um supermercado no subsolo. 

E à noite, retornamos à cidade antiga para jantar novamente no Sadrvan. Filet Mignon com Gorgonzola. Humm...delicioso!




Enfim, estou muito feliz de ter visitado Mostar, e percebido como a cidade tem se recuperado da guerra entre 1992 e 1995. É verdade que as marcas do conflito ainda estão presentes, mas a simpatia dos seus habitantes evidencia que eles já estão por as superar.




No verão, os turistas lotam a cidade, na sua maioria, europeus (Detalhe: visitamos Mostar na primavera e a cidade já estava cheia de turistas). Encontrei poucos brasileiros por lá, mas, pelo andar da carruagem, tenho certeza que em breve os nossos conterrâneos irão descobrir esse encanto de lugar.

Recomendo passar 1 ou 2 dias só em Mostar. Você também pode utilizar a cidade como base para visitar diversas outras cidades próximas, tais como, Blagaj (uma cidade pequena com uma mesquita construída nas proximidades de um penhasco), Medjugorje (centro de peregrinação católico), Stolac (uma cidade antiga Otomana), Pocitelj (uma cidade bósnia murada), as quedas d'água de Kravice, dentre outras.

No dia seguinte, partimos em direção a Dubrovnik, na Croácia, nossa penúltima parada. 


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