O que NÃO fazer em Santiago do Chile?


Santiago do Chile é uma cidade impressionante. O contraste entre a Cordilheira dos Andes e as construções modernas da cidade encanta qualquer turista. Além disso, a gastronomia, os vinhos, a hospitalidade do povo chileno e aquele friozinho agradável só nos fazem querer passar mais tempo por ali.

Se isso não bastasse, a cidade, na sua maior parte, é limpa e organizada, e está repleta de atrações turísticas, tanto no verão, quanto no  inverno. Tudo isso a apenas 4 horas de voo de São Paulo ou 5 horas do Rio de Janeiro.

Entretanto, a cidade apresenta algumas “armadilhas” para o turista. Visitei Santiago pela quarta vez em julho deste ano e percebi uma cidade significativamente diferente da que encontrei pela primeira vez em 2009.






Neste post, vou falar algumas coisas que você NÃO DEVE fazer em Santiago, evitando que perca seu tempo ou dinheiro e fazendo com que tenha uma experiência de viagem mais proveitosa.

1. Hospedar-se na Região Central



Um turista desavisado pode optar por se hospedar na região central de Santiago. Afinal, lá os preços das diárias são mais em conta e muitas atrações estão naquela região (museus, Praça das Armas, Mercado Central, etc.).

Furada!

Apesar de ter muita coisa para se fazer por lá durante o dia, à noite as lojas fecham e a região fica um tanto deserta, inóspita. É uma área degradada e poluída, pois está sujeita a um trânsito mais intenso de veículos. Enfim, é um lugar não muito seguro para os turistas caminharem à noite.

Por isso, recomendo que se hospede em outras regiões, como Las Condes ou Providência, e visite a região central durante o dia.

2. Usar ônibus urbanos



Nas primeiras vezes que visitei Santiago, usei muito o ônibus como meio de transporte. Em especial, os ônibus azuis articulados que nos levavam da região de Las Condes até a região central. Inclusive, tinha uma Tarjeta Bip, um cartão de transporte recarregável que pode ser usado tanto no Metrô quanto nos ônibus urbanos.

Hoje em dia, entretanto, o trânsito na cidade está infernal. Além disso, muitos ônibus, são sujos e caindo aos pedaços, em situação bem pior que os de muitas cidades brasileiras. Assim, seu trajeto de ônibus será mais longo e desconfortável.




Enfim, para se deslocar em Santiago, recomendo utilizar o metrô ou taxi/uber para aqueles locais distantes das estações de metrô. Pegue o ônibus somente se não tiver outra opção.

3. Fazer excursões para vinícolas em Santiago ou arredores




Um dos principais atrativos de Santiago é suas vinícolas. Amante do vinho ou não, você vai adorar conhecer o processo de produção dos vinhos, desde a coleta e seleção das uvas, até a fermentação, armazenagem e engarrafamento. No final, há sempre uma degustação que é o ponto alto da visita.

Várias empresas de turismo fazem tours para as vinícolas próximas a Santiago. O tour inclui, basicamente, o transporte e a visita.  Entretanto, este tour costuma ser muito mais caro que se for fazer uma visita por conta própria, especialmente se você não estiver sozinho.

Isso além de ter que passar por diversos hotéis para pegar todos os demais turistas e ficar adstrito aos horários da agência de turismo.

Ressalto: é possível fazer uma visita por conta própria para a maior parte das vinícolas nas proximidades de Santiago (vou escrever um post a respeito). Basta reservar sua visita junto à vinícola e usar o transporte público e o taxi/uber/ônibus (este último quando não houver outra opção).

Veja um exemplo:

A Turistik tem um passeio para a Vinícola Concha y Toro (tour tradicional) por 28.800 pesos por pessoa. O tour tradicional custa na vinícola 14.000 pesos. Se você for de metrô até a Estação Las Mercedes e pegar um taxi uber, gastará aprox. 3000 pesos.

Se você for sozinho (e não tiver ninguém para dividir o taxi), não gastará mais de 20.000 pesos no total (economizando aprox.. 44 reais) e terá uma grande flexibilidade para ir no horário que melhor lhe convier.

Portanto, faça as contas e na maioria dos casos vai ver que é melhor visitar as vinícolas por conta própria.

4. Visitar os “Outlets” em Santiago




Em Santiago, você vai ver muita propaganda do BuenaVentura Premium Outlet, um outlet da mesma rede do famoso shopping center Parque Arauco, que fica em Las Condes.

Está distante de 20 a 25 km de Las Condes, conforme o trajeto, e fica na Av. San Ignacio, em Quilicura, Região Metropolitana de Santiago. Na mesma avenida, estão outros outlets como o Outlet Quilicura e o Easton Outlet Mall.




A pergunta que não quer calar é vale a pena? A minha resposta é um sonoro “não”. Se você está esperando algo como os outlets dos Estados Unidos, esqueça.

Você vai encontrar lojas famosas como Guess, Nike e United Colors of Benetton, dentre outras, mas os preços estão, em geral, mais altos que no Brasil. É preciso garimpar bastante para obter algum produto com preços mais em conta. 

Pode até ser vantajoso para os chilenos, mas para os brasileiros em geral não é.

Além disso, você irá gastar aprox. 8000 pesos (R$ 40) de Uber até o local por trecho. 

Enfim, minha dica é não perca tempo visitando os outlets próximos a Santiago.

5. Visitar Santiago em Julho, se não for fazer esportes de inverno




Um dos grandes atrativos de Santiago é a prática de esportes de inverno, especialmente, para nós brasileiros. Há vários centros de inverno próximos a Santiago (Farellones, Valle Nevado, El Colorado, La Parva). E o mês de julho é um dos mais propícios para essa atividade.

Mas, se você não for praticar os esportes de inverno, não vá em Julho. É alta temporada. Tudo é mais caro!

Numa pesquisa rápida, percebemos que as passagens aéreas de São Paulo para Santiago em julho/2018 giram em torno de R$ 1.037 a 1.296. Em junho/2018, elas estão entre R$ 817 e 873 e em agosto/2018, elas estão em torno de R$ 842. Ou seja, você vai pagar mais caro.

E as mesmas considerações valem também para as diárias dos hotéis. As acomodações com preços mais em conta se esgotam mais rapidamente.

Minha experiência: Em julho/2017, estivemos em Santiago. No aeroporto SCL, tanto na chegada, quanto na partida, havia uma incrível “muvuca”, lembrando muito os aeroportos brasileiros durante a “crise aérea”. Tudo estava lotado: os balcões de check-in, os halls na chegada, os balcões das empresas de transporte. Além disso, uma terrível confusão para pagar o transporte para o hotel. Desanima qualquer um!

Por isso, se você não for praticar esportes de inverno, deixe para viajar em épocas de baixa temporada. E mesmo se for praticá-los, deixe para viajar em junho ou em agosto. Evite julho!

6. Alugar roupas, botas, calças de frio.




Ao se dirigir aos centros de ski, uma das primeiras paradas é nas lojas de locação de roupas de inverno. Nestas, além de pagar caro o aluguel, você também poderá pegar produtos não limpos e com defeitos.




Eu encontrei, por exemplo, várias botas com as palmilhas desgastadas. Tive que pedir várias vezes para trocar até obter uma adequada.

O aluguel costuma sair por 8.000 pesos a peça, o que corresponde aprox. a R$ 40.
Se você vai visitar um centro de ski por mais de um dia, já vale a pena adquirir as peças no Brasil e leva-las daqui.

Por exemplo, no Site da Decatlhon, loja especializada em artigos esportivos, é possível encontrar:

a bota masculina impermeável (Quechua) por R$ 150,

a calça de neve masculina (Wedze) por R$ 200 e

a luva para neve (Wedze) por R$ 40,00.

Enfim, a dica é fazer as contas, e, se for o caso, comprar os artigos no Brasil e levá-los para o Chile.

7. Almoçar no Mercado Central



O Mercado Central, próximo a Praça das Armas, é indicado como visita obrigatória em Santiago. Costuma-se sugerir comer um “Pastel de Mariscos” ou outros frutos do mar no famoso restaurante Donde Augusto.

Entretanto, se você pensa que vai encontrar um lugar como o Mercado Municipal de São Paulo, esqueça!

O mercado central de Santiago mais parece uma grande peixaria. Além do terrível cheiro de peixe, o entorno é feio, e você ainda é abordado por muita gente na entrada.

Os principais restaurantes ficam na parte central do mercado, mas os preços não são bons e a comida é apenas razoável. Já foi bom comer por lá, agora nem tanto.

Almocei no Donde Augusto em Julho/2017. Pedi um prato de peixe. O garçom insistia com todos da mesa para pegar outro prato, sem entretanto alertar para o preço, o que acabou sendo aceito por alguns. Quando veio a conta, atentamos que o prato sugerido era simplesmente o dobro do preço (em torno de 80 reais).

Diante disso, recomendo apenas fazer uma visita rápida ao local, nada mais.

8. Levar Cartão de Crédito de Bandeira ELO




ELO é uma bandeira de cartão de crédito tipicamente brasileira, criada pelos três principais bancos comerciais do Brasil: Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal e Bradesco.

Por aqui, essa bandeira é bem aceita por muitos estabelecimentos. Sou usuário do cartão ELO e praticamente nunca tive problemas no Brasil (exceto uma vez num restaurante em Gramado/RS). 

No exterior, o ELO é aceito em parceria com as bandeiras Discover e Diners. Segundo informações do site do cartão, ele seria aceito em 35 milhões de estabelecimentos em 185 países (fonte: www.cartaoelo.com.br). 

Entretanto, na prática, isso ele nem sempre funciona no exterior.

No Chile, em julho/2017, tentei fazer compras em vários estabelecimentos, tanto em Santiago, quanto em San Pedro de Atacama, mas em nenhum consegui fazer compras ou pagamentos com o meu cartão ELO/Discover. Tive que fazer uso de cartões de outras bandeiras ou pagar em dinheiro.

Portanto, se você possui um cartão ELO e vai para o Chile, não se esqueça de levar também cartões de outras bandeiras e/ou moeda em espécie por precaução. Assim você evita constrangimentos e outros problemas durante a sua viagem.

Espero que tenham gostado dessas dicas e boa viagem ao Chile!


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