Selecionar os 10 destinos mais bonitos na América do Sul foi uma das tarefas mais difíceis que já tive. As lembranças de uma viagem não se restringem  apenas à beleza das paisagens, mas estão relacionadas com  a experiência como um todo. São as cores, os sabores, os odores, as companhias e até mesmo as pessoas que cruzam o seu caminho que tornam um lugar inesquecível.

Sou uma pessoa de sorte, que já teve a oportunidade de conhecer mais de 70 países no mundo e muitos deles na América do Sul. Por isso, espero que esses meus 10 lugarzinhos preferidos sirvam de inspiração para suas próximas viagens. Confira!

1. Lençóis Maranhenses (Brasil)

Lagoa nos Lençóis Maranhenses
Lagoa no Parque Nacional dos Lençóis Maranhenses

Faltam-me palavras para descrever esse espetáculo da natureza. O céu encontra as dunas que encontram os lagos e tudo vira um quadro de uma beleza única, inesquecível. 

Assim são os Lençóis Maranhenses, um dos lugares mais lindos do Brasil. O acesso não é fácil. São 4 horas de carro a partir do Aeroporto de São Luiz/MA por estradas não muito conservadas. Não há muitas pousadas de luxo, nem restaurantes estrelados em Barreirinhas/MA, a cidade base para explorar esse destino turístico. Mas, revendo as fotos, nada disso é obstáculo para eu querer voltar. 

Você pode visitar a Lagoa da Preguiça, a Lagoa da Esmeralda ou a Lagoa Bonita. Qualquer que seja sua escolha, você vai ficar marcado, embasbacado e sem saber para onde apontar sua câmera fotográfica. 

Procure conhecer a região entre abril e julho, pois, nessa época, as lagoas ficam mais cheias e mais bonitas. Afinal, elas são formadas pela água da chuva e dos lençóis freáticos.  

Abuse do protetor solar, do chapéu e dos óculos escuros. O sol é inclemente, reflete na areia branca das dunas, e você não tem nenhuma sombra disponível. A propósito, um dos episódios da série “Largados e Pelados” foi gravado justamente no Parque dos Lençóis Maranhenses. Uma participante saiu por insolação. Portanto, cuidado! 

Não espere encontrar vendedores ambulantes. Acho até que eles respeitam esse momento de conexão com a natureza. Porém, no caminho até as dunas, encontrará pessoas vendendo tapioca, queijo quente e outras delícias, humildemente preparadas para você com muita simplicidade. 

Por do Sol, Lençóis Maranhenses
Por do Sol nos Lençóis Maranhenses

Subir as dunas cansa. Realmente, não é fácil para quem não tem um preparo mínimo, mas o cenário é tão perfeito que fiz o trajeto íngreme da Lagoa Bonita duas vezes. Na última, empurrando minha mãe de quase 70 anos morro acima, pois era inadmissível que ela perdesse aquele por do sol, que é de tirar o fôlego. Arrisco-me a dizer que é um dos mais bonitos que já vi. 

Leia o relato sobre nossa viagem aos Lençóis Maranhenses.

2. Foz do Iguaçu (Brasil)

Cataratas do Iguaçu, Foz do Iguaçu, Brasil
Cataratas do Iguaçu, Foz do Iguaçu

Se eu pudesse resumir Foz do Iguaçu em uma palavra, eu diria multicultural. De fato, desconheço outra cidade brasileira de porte médio (260 mil hab.) em que a diversidade de culturas, religiões e nacionalidades esteja tão presente.

Além disso, a cidade apresenta diversas atrações turísticas, tais como, a Usina de Itaipu, a Tríplice Fronteira e o Parque das Aves. Mas, atração mais grandiosa, que me fez colocar a cidade nesse post, são as Cataratas do Iguaçu.

As cataratas estão localizadas parte no Brasil e parte na Argentina, sendo possível visitá-la a partir do dois países. O lado brasileiro, inaugurado em 1939, é mais organizado, seguro e tem a vista mais incrível. Isso porque a maioria dos principais saltos estão no lado argentino. Então, é mais bonito apreciá-los pelo lado brasileiro.

Além de terem sido declaradas Patrimônio Natural da Humanidade, as Cataratas do Iguaçu fazem parte das Novas 7 maravilhas naturais do mundo. Não sem razão! A atração é considerada o maior conjunto de quedas d’água do mundo e é o segundo local mais visitado por estrangeiros no Brasil.

Mirante - Cataratas do Iguaçu
Mirante  nas Cataratas do Iguaçu (lado brasileiro)

São 275 quedas d’água no rio Iguaçu, com alturas que variam de 40 a 80 metros. No trajeto, existem vários mirantes para fotografia. O mais incrível deles é a passarela que passa pela Garganta do Diabo (a maior queda do complexo). É diversão garantida! Você vai sair ensopado com os respingos da água do salto.

Ficar na passarela, sentindo os respingos e ouvindo a força da natureza é mágico e imperdível. Além disso, é muito comum ver arco-íris por lá.

Os mais aventureiros podem fazer o passeio do Macuco Safari. Embora não seja uma experiência com bom custo-benefício, o passeio é uma forma de chegar pertinho desse gigante da natureza.

Já visitei as Cataratas do Iguaçu várias vezes e não me canso de me surpreender com sua força, beleza, sons e energia. Não deixe de visitá-las!

3. Alter do Chão (Brasil)

Ilha do Amor, Alter do Chão, Santarém, Pará
Ilha do Amor, Alter do Chão

Alter do Chão é uma vila com 7 mil habitantes localizada no município de Santarém, no Pará, às margens do Rio Tapajós. Ainda pouco conhecida pelos brasileiros, a vila é, sem dúvida, um dos melhores destinos turísticos do Brasil. Visitei-a apenas em 2020. Que arrependimento de não tê-la conhecido antes!

Em 2009, Alter do Chão foi considerado pelo The Guardian o melhor destino de praia no Brasil, sendo chamado, inclusive, de “Caribe Amazônico”. O correspondente brasileiro, Tom Philips, afirmou na reportagem:

“A melhor praia do Brasil não está no Rio de Janeiro ou no Nordeste ensolarado. Não está nem na costa. Está num rio no coração da floresta amazônica. A cerca de 30 km da cidade de Santarém, na floresta tropical, Alter do Chão é a resposta da selva ao Caribe (…) As pessoas costumam chamar a Amazônia úmida e densa de ‘inferno verde’. Alter do Chão é o seu paraíso dourado.” (tradução livre)

O principal motivo para você conhecer Alter do Chão está nas incríveis praias de rio. Além de possuir uma beleza indescritível, suas águas mornas e deliciosas fazem com que você queira passar o dia inteiro se banhando por lá. Muitas vezes, botos-rosa estarão mergulhando tranquilamente ao seu redor, fazendo você se encantar com esse belíssimo e harmônico contato com a natureza.

Mas, Alter do Chão não tem apenas praias. O vilarejo também te dá acesso a trilhas, florestas, igarapés, morros, canais e comunidades ribeirinhas com suas casas suspensas para enfrentar as épocas de cheia (inverno amazônico).

Nesses distintos cenários, você terá contato (ou melhor, proximidade) com os mais diversos tipos de animais e plantas: desde os encantadores botos que mergulham pelo Rio Tapajós até os temíveis jacarés às margens do Canal do Jari.  Você verá ainda macacos, bichos-preguiça, tartarugas e patos, além de ouvir o cantar dos pássaros.

Trilha, Flona, Floresta Nacional do Tapajós, Pará
Trilha na Floresta Nacional do Tapajós

Em um passeio pela Floresta Amazônica, você conhecerá as árvores e plantas da região e os diferentes usos que os ribeirinhos fazem delas. O óleo de Andiroba, por exemplo, diminui as dores musculares, em razão das suas propriedades analgésicas. Me salvou de uma distensão muscular que tive no passeio à Floresta Nacional do Tapajós.

Apesar de pequena, a vila de Alter do Chão tem muita coisa para se fazer à noite. Alguns podem passear pela orla, outros podem visitar a feirinha da praça principal, alguns podem participar de uma piracaia e outros podem jantar em alguns dos excelentes restaurantes.

Os mais corajosos podem contratar um passeio noturno para observar os animais, mas, os mais animados, querem mesmo é ir dançar um Carimbó, uma dança de roda típica do Pará com influências indígena, negra e portuguesa. É diversão garantida!

São tantas opções num vilarejo tão pequeno, que tenho certeza que você ficou com vontade de conhecer!

4. Deserto do Atacama (Chile)

Paisagem Laguna Cejar
Paisagem na Laguna Cejar, Deserto do Atacama

Sou apaixonada pelo Deserto do Atacama. Não consigo saber, ao certo, o que me deixou tão encantada! Há uma atmosfera inexplicável! Acho que são as ruas de terra batida, ou as incríveis paisagens, tão diferentes entre si, ou ainda o céu estrelado como nunca vi antes. Não sei! Vou voltar e tentar descobrir!

O Atacama é um dos desertos mais secos do mundo, com área de 105 mil km². Estende-se por 4 países: Chile, Argentina, Bolívia e Peru. Entretanto, os passeios turísticos concentram-se na região norte do Chile, tendo por base a vila de San Pedro de Atacama.

San Pedro de Atacama é uma pequena vila de 5 mil habitantes. Fica a 2.400 metros de altitude, na região de Antofagasta (não confundir com a cidade de Antofagasta), no norte do Chile.

A cidade é a base para diversas excursões pelo deserto.

Fiquei fascinada com as paisagens nas Lagoas de Sal. O cenário combina o azul turquesa da lagoa, o azul celeste, o branco do sal, a vegetação e o reflexo da Cordilheira dos Andes, tornando esse espetáculo da natureza simplesmente imperdível.

É claro que tenho inúmeras fotos dessa combinação. Até, quem não gosta daquelas fotos clássicas dos pulinhos, se arrisca a fazê-las!

Ojos del Salar. Deserto do Atacama
Ojos del Salar, Deserto do Atacama

Ah, não posso esquecer de falar da experiência em se banhar numa lagoa com alta concentração de sais minerais que evitam que o banhista afundem. Você vai passar vários minutos tentando contradizer as leis da física!

Mas, como disse no início, são paisagens fantásticas e tão diferentes entre si. Outro lugar fantástico, com uma paisagem completamente diferente dos lagos, é o Vale da Lua. Os ventos frequentes na região deram origem a várias dunas. A Duna Maior originou-se de uma grande acumulação de areia em razão de barreiras naturais. Tudo isso ao longo de anos… e agora podemos apreciar esse cenário algo futurístico!

Um dos principais tours no Atacama é a visita aos Geysers del Tatio. Além da paisagem impressionante, com montanhas e diversas áreas cobertas de neve no meio do deserto, é indescritível ver aquelas águas quentes brotando do chão, como se tivessem numa panela fervendo, e um vapor d’água que dá o toque final na paisagem.

Uma das atrações construídas pelo ser humano é o Observatório Espacial, uma vez que as condições climáticas locais tornam a observação das estrelas uma experiência fantástica.

Existem outros passeios que você pode fazer, e deve, pois vai se encantar com todos. Mas, caminhar pelas ruas de terra batida, experimentar as comidas típicas e apreciar o céu mais estrelado que já conheci não tem preço!

5. Catedral de Sal (Colômbia)

Nave Central, Catedral de Sal
Nave Central, Catedral de Sal

É impensável ir a Bogotá, na Colômbia, e não visitar a Catedral de Sal de Zipaquirá, a 50 km de distância. Essa atração é impressionante, linda e incrível. É uma obra prima da arquitetura colombiana, esculpida em sal, sem concreto e sem ladrilhos.

Considerada a primeira maravilha da Colômbia, a Catedral de Sal é um dos poucos templos religiosos no mundo localizado a 180 metros abaixo da terra.

A ideia da construção da catedral foi de Luís Angel Arcanjo, um diretor de banco, que ficou impressionado com a devoção dos mineiros que se manifestava sempre que iniciavam a sua jornada de trabalho.

Em 1954, a catedral antiga foi inaugurada. Infelizmente, devido a falhas estruturais, essa primeira catedral foi fechada em 1992. Em 1991, iniciou-se a construção de uma nova catedral a 60 metros abaixo da catedral antiga (fonte: wikipedia).

O percurso começa pela Via Crucis, um trecho de 386 metros onde estão as 14 estações (talhadas nas rochas de sal) que representam os diferentes passos de Cristo desde a condenação até a crucificação e sepultamento.

Terminando o túnel da Via Crucis, encontra-se a Cúpula, com 11 metros de altura e 8 metros de diâmetro. A Cúpula é a união entre a terra e o universo celeste.

Via Crucis, Catedral de Sal
Via Crucis, Catedral de Sal de Zipaquirá

Depois disso, é a vez do Nartex, um labirinto de purificação espiritual. É uma obra composta por uma série de paralelepípedos esculpidos em sal. E, finalmente, surgem as três grandes câmaras no centro da Catedral de Sal. Na nave central ou nave da vida de Jesus, encontra-se uma cruz de 16 metros e o altar maior. Aos domingos, são celebradas missas no local. A acústica é fantástica!

E, para fechar o passeio com chave de ouro, encontra-se, na saída, o espelho d’água. Trata-se de uma piscina de água saturada de sal que simula um espelho perfeito, refletindo a pouca luz do ambiente. Quantas fotos eu tirei!

6. Cartagena (Colômbia)

Plaza de los coches, Cartagena, Colômbia
Plaza de los coches, Cartagena, Colômbia

Ah! Que saudades de Cartagena! Cidade romântica, histórica, com praias privativas  surreais (e algumas praias públicas mal conservadas) e um calor úmido inesquecível.

A cidade é viva, cheia de cores, gente e som. Dentro da muralha, as ruas estreitas cativam os visitantes com uma arquitetura colonial bem conservada e colorida. Perdi várias horas tentando captar esse espírito divertido.

As palenqueras se misturam ao cenário. São mulheres que se vestem com cores fortes e integram um grupo étnico formado por escravos fugidos que se abrigavam em “palenques”, que corresponde ao quilombo no Brasil. Elas vendem frutas, tão necessárias para aplacar o calor, ou simplesmente se oferecem para uma foto, mediante uma gorjeta.

Recomendo fazer um city-tour pela cidade amuralhada. Vc vai se encantar com a história do local.

Uma viela enfeitada com Guarda-chuvas em Getsemani, Cartagena
Uma viela enfeitada com Guarda-chuvas em Getsemani

Fora da cidade amuralhada, Getsemani vai conquistá-lo. É um bairro boêmio, repleto de bares, barulho cotidiano, gente nas portas das casas e grafites nas paredes. Perder-se pelas ruelas é um privilégio. Cada cantinho tem uma surpresa, seja pela decoração inusitada das ruas (como fitas e guarda chuvas), seja pela vida corriqueira e cotidiana, regada a música latina. Acho que o bairro traduz o famoso “ar caribenho”.

Além de charmoso, Getsemani tem uma importância histórica e cultura incrível. Foi, por exemplo, na Plaza de la Trinidad, que se iniciou, em 1811, a revolta popular que deu início à queda do império espanhol.


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E, já que a cidade é banhada pelo mar caribenho, não poderíamos deixar de falar das praias de Cartagena. Cuidado para não cair em roubadas! As praias urbanas não são tão bonitas! A areia é escura e o mar não é verde transparente como gostaríamos.

Cuidado também com a Playa Branca. Ela tinha tudo para ser o destino perfeito, se não estivesse lotada de turistas, vendedores ambulantes, trombadinhas e tudo o que pode estragar sua viagem.

Para encontrar a praia dos seus sonhos, você terá que visitar uma das praias privadas, que ficam a alguns minutos de barco do centro de Cartagena. Tenho certeza que não vai se arrepender.

7. Machu Picchu (Peru)

Parque arqueológico de Machu Picchu
Parque arqueológico de Machu Picchu

Não conheço uma pessoa que não tenha vontade de conhecer Machu Picchu. Essa “cidade perdida”, envolta num ar de mistério, é um dos lugares mais belos que já conheci.

Muitos consideram Machu Picchu um lugar de contemplação e meditação. E, estando lá, você vai entender o motivo. É impossível não se render a uma experiência única de descobrimento, quando percebemos o sutil e encantador equilíbrio entre homem e natureza. É nesse cenário que, enquanto respiramos o ar fresco das alturas, tocamos a perfeição dos encaixes milimétricos das construções antigas.

No mesmo paralelo que Machu Picchu, encontra-se a Chapada dos Veadeiros, um pedacinho mágico e místico no interior de Goiás. Vale a pena conhecê-la também!

Machu Picchu é uma cidadela Inca, construída no topo de uma montanha, que fica localizada na margem esquerda do Rio Urubamba, a uma altitude média de 2.400 metros. Foi construída no século XV para ser um importante centro religioso, político e cultural do império Inca.

Sabe-se que, com a chegada dos espanhóis, a civilização inca foi dizimada. Porém, acredita-se que, devido ao seu difícil acesso, Machu Picchu não foi encontrada e, por isso, permaneceu intacta.

Esse imenso e enigmático santuário foi considerado Patrimônio Cultural da Humanidade em 1982 e, em 2007, foi eleito uma das 7 maravilhas do mundo moderno.

Setor agrícola Machu Picchu
Setor agrícola Machu Picchu

O sítio arqueológico pode ser dividido em 2 grandes setores, o agrícola e o urbano. É nesse segundo setor que encontramos um dos pontos turísticos  mais místicos, o relógio solar (Intihuatana), localizado no ponto mais alto do complexo. Os turistas aproximam-se da pedra (sem tocá-la) para receber a energia emanada por ela.

Outro lugar impressionante é o Templo do Sol, construído para fazer homenagens e oferendas ao Deus Sol. É a única construção do local com um formato semicircular. O templo possui também 3 janelas, sendo que 2 delas foram perfeitamente construídas para permitir a passagem da luz do sol, fazendo com que ela incida diretamente no altar cerimonial no seu interior, durante o início do Solstício de Verão e de Inverno.

Para se chegar a Machu Picchu, você pode ir de trem a partir de Ollataytambo, a opção mais cômoda, ou caminhando pela antiga Trilha Inca. Essa trilha (ou melhor, uma das trilhas) dura 4 dias e você percorre mais de 40Km pelos Andes. Aproveite para curtir as belas paisagens, com vegetação exuberante e se conectar com a natureza!

8. Salar do Uyuni (Bolívia)

Salar Uyuni, Bolívia
Salar Uyuni, Bolívia

É impossível ir ao Salar do Uyuni e não voltar com inúmeras fotos lindas e muitas delas divertidas. O maior e mais alto deserto de sal do mundo (3.650 metros acima no nível do mar), com 12.000 km2 de extensão,  está localizado no sudoeste da Bolívia, aos pés da Cordilheira do Andes.

Dizem que você deve visitar o salar tanto no verão como no inverno, pois, se não puder fazer isso, terá uma dura decisão a tomar para escolher a melhor época.

No verão, você será surpreendido por um céu azul, grandioso, infinito, refletido na fina lâmina de água proveniente do degelo dos Andes. É aquela sensação assustadora de não saber onde começa o céu e onde termina a terra.

Entretanto, infelizmente, essa é uma época chuvosa e nem todos os pontos podem ser alcançados. Mas, não podemos esquecer, que é nesse período que você tem a chance de ver os graciosos flamingos rosas nas partes alagadas.

Você sabia que o Salar do Uyuni é o único ponto brilhante que pode ser visto do espaço e, por isso, ajuda na calibração de satélites?

No inverno, uma imensidão branca, sem início ou fim, refletindo a luz, vai com certeza cegá-lo, de emoção por ser um cenário tão único. É nessa época do ano que o passeio de 4 dias até o Deserto do Atacama, no Chile, pode ocorrer.

Esse trajeto, de aproximadamente 600 km, por uma paisagem inóspita, vai levá-lo para conhecer, além do deserto de sal, lagoas coloridas, lagoas termais, gêiseres e os famoso cactos gigantes com mais de 10 metros de altura.

Esse tour de 4 dias, apesar de ter paisagens estonteantes, pode ser bastante cansativo. Minha mãe achou o trajeto muito longo e desconfortável, por passar horas chacoalhando um carro 4×4. Além disso, em muitos casos, os hotéis possuem quartos e banheiros compartilhados, além de não ter água quente para o banho. É claro que existem opções bem mais confortáveis, mas você terá que pagar caro por elas.

Existe uma lenda aymara que diz que as montanhas Tunupa, Kusku e Kusina, que são as montanhas situadas à beira do deserto, eram pessoas gigantes. Tunupa se casou com Kusku, mas fugiu para ficar com Kusina. De luto, Tunupa começou a chorar enquanto dava de mamar para seu filho. Suas lágrimas se juntaram ao leite e formaram o Salar. (Fonte: wikipedia)

O passeio de 4 dias pode começar tanto pela pequena cidade de Uyuni, na Bolívia, quanto por São Pedro do Atacama, no Chile. Os viajantes costumam dizer que sair do Chile pode ser mais interessante, pois a expectativa vai crescendo ao longo do tour e você só chega ao salar no último dia. Além disso, pelo horário de chegada, é possível apreciar o por do sol no maior deserto de sal do mundo, o que é uma experiência surreal.

Meu único conselho é não fazer a visita ao Atacama e ao Uyuni na mesma viagem. Cada um dos destinos requer 4 ou 5 dias para ser bem aproveitado e uma viagem casada seria bem exaustiva, sem falar no cansaço provocado pela altitude.

Salar Uyuni
Salar Uyuni

Você também pode fazer um bate e volta partindo de La Paz, em Bolívia. Você pode ir de avião (45 min de voo) ou de ônibus até a cidade de Uyuni. Lá é possível contratar um tour de dia inteiro. Vale muito a pena para quem quer conhecer esse gigante da natureza e não tem tempo para fazer os tours de vários dias.

9. Perito Moreno (Argentina)

Glaciar Perito Moreno - vista das passarelas
Glaciar Perito Moreno – vista das passarelas

O Glaciar Perito Moreno é um gigante de gelo que fica localizado próximo a El Calafate, no Parque Nacional de Los Glaciares, na Argentina. O parque é considerado a terceira maior reserva de água doce do mundo.

Esse estonteante “pedaço” de gelo tem 60 metros de altura e 5km de comprimento. São aproximadamente  250 km2. Diferente dos outros glaciares no mundo, que estão diminuindo por causa do aquecimento global, o Glaciar Perito Moreno, continua crescendo, graças a um fenômeno um pouco difícil de explicar, mas que está relacionado a uma zona de acumulação na base da geleira e compactação dessa neve ao longo dos anos.

Partindo de El Calafate, são apenas 80 km para chegar até o Parque Nacional de los Glaciares. Existem quase 5 km de plataformas que ladeiam o gigante de gelo e deixam você frente a frente com ele (claro que é a uma distância extremamente segura) ou permitem que você tenha uma visão panorâmica. As plataformas são bem conservadas e permitem que crianças e idosos também aproveitem o passeio. As fotos não conseguem captar essa beleza toda.

Glaciar Perito Moreno - vista do barco
Glaciar Perito Moreno – vista do barco

Uma dica é fazer o passeio de barco, que dura aproximadamente 1 hora, contornando o glaciar. O barco faz uma parada para deixá-lo cara a cara com esse magnífica massa azulada de gelo. Sim, o gelo não é branquinho, tem uma cor azulada e isso está relacionado com a reflexão da luz.

Foi durante esse passeio que escutamos um barulho estrondoso, parecendo um trovão muito alto e longo. Era um pedaço do glaciar se desprendendo e caindo nas águas geladas. Foi assustador, mas, durante todo o passeio pudemos ouvir mais desse som, embora um pouco mais distante.

Para os mais corajosos, existe a possibilidade de fazer caminhada pelas geleiras. Infelizmente, fomos no inverno e, por razões de segurança, o passeio estava suspenso.

Amigos que fizeram esse mini trekking disseram que são quase 2 horas de esforço moderado. Embora o gelo seja firme, há bastante desnível. Entretanto, o esforço é compensado pela sensação de domar o gigante e passear pois paisagens incomuns como fendas profundas e lagoas azuis.

10. Galápagos (Equador)

Banho de sol acompanhada de leao marinho em Tortuga Bay, Galápagos
Banho de sol na companhia de um leão marinho em Tortuga Bay, Galápagos

Já pensou em ter que disputar um lugar no banco da praça com um leão marinho? Em Galápagos isso pode acontecer! E, com certeza, o leão marinho, terá a preferência, afinal eles são os maiores mamíferos do arquipélago e podem chegar a pesar 250kg!

É apenas em Galápagos que essa proximidade tranquila entre homem e animais é possível, afinal, felizmente, os animais não se sentem ameaçados por nós. Por isso, não se esqueça de tirar uma foto tomando banho de sol com os leões marinhos ou pinguins.

A vida marinha também é exuberante. São peixes coloridos, leões marinhos brincalhões e até tubarões. Você pode fazer snorkeling ou até mesmo agendar um mergulho.

Durante o planejamento da viagem, queríamos fazer um mergulho. Entrei em contato com uma agência para saber se não era perigoso. Estava com medo dos tubarões. A resposta, me tranquilizou bastante: os tubarões não costumam atacar humanos, isso só acontece quando eles (tubarões) se confundem. Por não saber a estatística de quanto um tubarão pode se confundir, desisti do passeio!

O arquipélago de Galápagos é constituído por 13 ilhas principais e várias outras menores, sendo que é possível se hospedar em apenas 4 dessas ilhas: Santa Cruz, San Cristobal, Isabela e Floreana.

Em 1985, Galápagos passou a ser considerado uma reserva marinha protegida, afinal, possui um ecossistema complexo e fascinante. Não haverá um dia em que você não encontrará iguanas, tartarugas gigantes, leões marinhos e uma ampla variedade de vida vegetal e animal.

Tartaruga gigante, Rancho El Chato, Galápagos
Tartaruga gigante, Rancho El Chato, Ilha de Santa Cruz

Todos os anos, milhares de cientistas visitam a ilha para estudar seu delicado ecossistema. Foi também nesse local que, em 1835, Charles Darwin, durante suas pesquisas, reuniu material para escrever sobre a provocativa teoria da evolução.

As paisagens de Galápagos também são fascinantes. As atividades vulcânicas, associadas à movimentação das placas tectônicas, criaram um relevo único, além de praias bem diferentes das que conhecemos. Aqui, a areia branquinha dá lugar, muitas vezes, a uma areia cinza escura (basalto) e, por vezes, avermelhadas (por causa da oxidação e ferro contido na lava vulcânica). E as grutas? Gigantescas! Únicas!

Se você é um amante da natureza, não deixe de conhecer Galápagos. Você tem a oportunidade de chegar bem próximo aos animais, eles parecem não ter medo de nós e senti como se me observassem, ou seja, eu era apenas mais um bicho solto naquele ecossistema.

Concluindo…

O mundo tem lugares maravilhosos para conhecer, mas, aqui na América do Sul, pertinho de nós, também existem destinos incríveis e imperdíveis.

Conta pra mim nos comentários se você concorda com os meus Top 10 ou não! Algum lugar ficou de fora?

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