Alter do Chão é uma vila com 7 mil habitantes localizada no município de Santarém, no Pará, às margens do Rio Tapajós. Fundada em 1626, em homenagem à vila homônima em Portugal, Alter do Chão foi ocupada inicialmente por comunidades indígenas e por missões jesuítas. No século XX, durante o ciclo da borracha, passou a ser uma das rotas do latex extraído em Belterra e em Fordlândia até 1950. Após um período de decadência econômica, na década de 1990, Alter do Chão se abriu ao turismo (fonte: Wikipedia).

Ainda pouco conhecida pelos brasileiros (e famosa no exterior), a vila é, sem dúvida, um dos melhores destinos turísticos do Brasil. Visitei-a apenas em 2020. Que arrependimento de não tê-la conhecido antes! Neste artigo, você confere os 12 motivos pelos quais você deve incluir Alter do Chão no seu roteiro de viagem.


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1. A beleza das praias

Praia Ponta Grande, Rio Arapiuns, Pará
Praia Ponta Grande, Rio Arapiuns

O principal motivo para você conhecer Alter do Chão está nas incríveis praias de rio, na localidade e nos seus arredores. Além de possuir uma beleza indescritível, suas águas mornas e deliciosas fazem com que você queira passar o dia inteiro se banhando por lá. Muitas vezes, botos-rosa estarão mergulhando tranquilamente ao seu redor, fazendo você se encantar com esse belíssimo e harmônico contato com a natureza.

Ao final, por se tratar de água doce, você não sai da água com o corpo e com o cabelo todo “grudento”, como ocorre ao se banhar na água do mar. De fato, quem tem cabelo comprido vai adorar Alter do Chão!

Em 2009, Alter do Chão foi considerado pelo The Guardian o melhor destino de praia no Brasil, sendo chamado, inclusive, de “Caribe Amazônico”. Confira o que Tom Philips, correspondente no Brasil, falou a respeito (tradução livre):

“A melhor praia do Brasil não está no Rio de Janeiro ou no Nordeste ensolarado. Não está nem na costa. Está num rio no coração da floresta amazônica. A cerca de 30 km da cidade de Santarém, na floresta tropical, Alter do Chão é a resposta da selva ao Caribe. Depois de uma semana escondido na floresta, Alter do Chão é o lugar perfeito para relaxar: você pode descansar nas praias fluviais pela manhã, deliciar-se com um peixe grelhado local à tarde e retirar-se para uma das muitas pousadas charmosas da região. As pessoas costumam chamar a Amazônia úmida e densa de ‘inferno verde’. Alter do Chão é o seu paraíso dourado.”

Pôr do Sol, Ponta do Cururu, Santarém, Pará
Pôr do Sol, Ponta do Cururu

Dentre as praias de rio, destacam-se a da Ilha do Amor, em Alter do Chão; e as praias de Pindobal, Ponta das Pedras e Ponta do Cururu, que ficam nos arredores.

Para conhecer as praias nos arredores de Alter do Chão, recomendo fazer o passeio do Rio Arapiuns.

2. O contato com a natureza

Trilha, Flona, Floresta Nacional do Tapajós, Pará
Trilha na Floresta Nacional do Tapajós (Flona)

Alter do Chão não tem apenas praias. O vilarejo também te dá acesso a trilhas, florestas, igarapés, morro, canais e comunidades ribeirinhas com suas casas suspensas para enfrentar as épocas de cheia (inverno amazônico).

Nesses distintos cenários, você terá contato (ou melhor, proximidade) com os mais diversos tipos de animais e plantas. Desde os encantadores botos que mergulham pelo Rio Tapajós até os temíveis jacarés às margens do Canal do Jari.  Você verá ainda macacos, bichos-preguiça, tartarugas e patos e ouvirá o cantar dos pássaros.

Criação de Tartarugas, Comunidade de Coroca, Rio Arapiuns
Criação de Tartarugas, Comunidade de Coroca, Rio Arapiuns

Você conhecerá também as árvores e plantas da floresta e os diferentes usos que os ribeirinhos fazem delas. O óleo de Andiroba, por exemplo, diminui as dores musculares, em razão das suas propriedades analgésicas. Me salvou de uma distenção muscular que tive no passeio à Floresta Nacional do Tapajós.

Enfim, visitar Alter do Chão é a oportunidade de estar próximo à natureza e perceber toda a harmonia daquele lugar.

3. Os festivais culturais

São duas as festas culturais que ocorrem em Alter do Chão e animam os turistas: a festa do Sairé e o festival do Borari.

A festa do Sairé (ou Çaire) ocorre durante 5 dias, sempre no mês de setembro. É a manifestação folclórica mais antiga da região. São mais de 300 anos. Essa festa, inicialmente religiosa, adquiriu na década de 90, também um caráter pagão.

Pela manhã, acontecem os rituais religiosos: procissões, rezas e ladainhas. À noite, o Festival dos Botos: encenação da lenda folclórica mais importante da Amazônia. Durante as apresentações, em que os Botos Rosa e o os Botos Tucuxi se enfrentam (nos mesmos moldes do Festival de Parintins), o carimbó dá o tom da diversão.

O Festival do Borari, que começou na década de 90, ocorre no mês de julho e retrata toda a riqueza dos costumes e tradições do povo de mesmo nome, através de rituais e danças.

O festival permite que os jovens se envolvam no resgate cultural da identidade e história dos ínidos Borari. Além de danças folclóricas, há também show de música ao vivo com bandas de forró.

4. O fácil acesso

É muito fácil chegar a Alter do Chão. Mais fácil do que chegar em Jericoaquara ou aos Lençóis Maranhenses, por exemplo, em que você tem que percorrer um bom trecho de carro após desembarcar no aeroporto.

Alter do Chão fica a apenas 37 km do centro de Santarém. Para quem vem de Santarém ou do Aeroporto Maestro Wilson Fonseca (STM), o acesso é feito através da rodovia PA-457, que é pavimentada e em excelente condições. Do aeroporto, o trajeto dura em torno de 35 minutos. Há taxis no local que fazem o trajeto.

As três principais companhias aéreas brasileiras (Gol, Latam e Azul) operam no Aeroporto de Santarém. Para quem vem da região sul ou sudeste, o mais conveniente é vir de Latam, fazendo conexão em Brasília.

5. A culinária

Tambaqui, Restaurante Panela de Barro, Ponta das Pedras
Tambaqui, Restaurante Panela de Barro, Ponta das Pedras

Se você gosta de comer peixe, Alter do Chão é o seu destino. Em todos os passeios que fizer, você poderá provar peixes frescos, tais como o Pirarucu e o Tambaqui. Essas são apenas algumas das diversas espécies de pescado da região.

  • Uma pesquisa realizada na Feira do Pescado de Santarém identificou 41 diferentes espécies que desembarcaram por lá. Cinco espécies são responsáveis por mais da metade do pescado desembarcado no ano passado na feira: pescada, aracu, surubim, tambaqui e tucunaré (fonte: G1).

Mas, Alter do Chão, apesar de ser uma pequena vila, dispõe de restaurantes para todos os gostos. A maioria deles encontra-se em torno da praça principal. Cito, por exemplo, o Restaurante Italiano, os restaurantes de cozinha contemporânea (Mãe Natureza e Arco-Íris da Amazônia) e os especializados em peixe (Piracuí e Farol da Ilha). De sobremesa, não deixe de provar as balas de cupuaçu ou coco vendidas na feirinha da praça.

Nem sempre você precisa ir a um restaurante. Se você tiver pouca fome, pode provar um delicioso hamburguer do X Bom Burguer. Fique atento, pois, em determinados dias, pode haver uma enorme fila de espera, mas que, ao fim e ao cabo, é sinal de que o sanduíche é bom.

Mas, a experiência gastronômica típica de Alter do Chão é a Piracaia. Uma espécie de luau com um churrasco de peixe na praia. Costuma ser organizado por agências e hotéis.

“A Piracaia é um típico churrasco caboclo de peixe, um costume dos descendentes da tribo Borari, hoje moradores da Vila de Alter do Chão. De origem Tupi, o temo significa ‘peixe assado’, pela junção de ‘pirá’ (peixe) e ‘kaía’ (fogo)” (fonte: 10e20.com.br).

Minha única decepção em Alter do Chão foi a “Portinha do Caranguejo”, que foi indicada por alguns colegas turistas. Comi caranguejo com farofa. Achei sem sabor. Parti, então, para uma esfirra. Fria e com pouco recheio, só massa.

6. As boas opções de pousadas

Pousada Sombra do Cajueiro, Alter do Chão, Pará
Pousada Sombra do Cajueiro, Alter do Chão

Apesar de ser uma vila simples, Alter do Chão oferece várias opções de pousadas. Há pousadas boas e aconchegantes com tarifas razoáveis. São poucas as opções de hotéis.

Entretanto, se você tem orçamento apertado, pode ficar nos hostels ou até mesmo nos redários, onde as diárias são ainda mais baratas. Com certeza, será uma experiência diferente!

7. O preço razoável

Em Alter do Chão, você vai encontrar boas opções de hospedagem e de restaurantes a preços razoáveis. O mesmo não se diga dos serviços de transporte (leia abaixo)

Há excelentes pousadas (nota acima de 8.5 no Booking) com diárias em torno de R$ 200,00 para duas pessoas com café da manhã. Por sua vez, para almoço e jantar, você encontra pratos excelentes por menos R$ 50,00 na maioria dos restaurantes.

Se você mora em uma grande cidade, com certeza, você deve estar pagando mais que isso nas suas refeições.

8. Acesso à internet de boa qualidade

Por ser uma vila afastada do centro urbano e no meio da selva amazônica, esperava que o acesso à internet fosse de péssima qualidade. É o que acontece, por exemplo, em destinos turísticos como a Chapada dos Veadeiros e Pirenópolis, no estado de Goiás, onde costumo ir com frequência.

Mas, para minha surpresa, Alter do Chão tem um bom sinal de conexão 4G, pelo menos para a operadora Vivo, que é a que utilizo. Consegui sinal mesmo em algumas praias mais afastadas de Alter do Chão, como na Ponta do Cururu, por exemplo.

Por outro lado, na pousada em que fiquei, Pousada Sombra do Cajueiro, tinha um Wi-fi de excelente qualidade. Segundo o dono da pousada, a Amazonet, uma provedora de internet, chegou recentemente na região e passou a oferecer conexão de boa qualidade.

9. Carimbó

Apesar de pequena, Alter do Chão tem muitas coisa para se fazer à noite. Alguns podem passear pela orla, outros podem visitar a feirinha da praça principal, alguns podem participar de uma piracaia e outros podem jantar em alguns dos excelentes restaurantes.

Os mais corajosos podem contratar um passeio noturno para observar os animais, mas os mais animados querem mesmo é ir dançar um Carimbó, uma dança de roda típica do Pará com influências indigena, negra e portuguesa. O nome Carimbó vem do seu instrumento musical: um tambor artesanal chamado de “Curimbó”.

“O carimbó do Pará foi trazido ao Brasil pelos escravos africanos. Posteriormente, foram incorporadas influências indígenas e europeias, especialmente ibéricas. O costume da dança surgiu com o hábito dos agricultores e dos pescadores que, ao fim dos trabalhos diários, dançavam ao ritmo do tambor.” (fonte: TodaMateria)

O Espaço Alter do Chão, na Tv. Copacabana, é um dos principais espaços para você curtir um Carimbó à noite, após um dia inteiro de passeio.

10. Clima quente o ano inteiro

Em Alter do Chão, você não vai passar frio. O clima é quente o ano inteiro. A temperatura média anual é de 25,9°C.

Basicamente, o clima de Alter do Chão tem apenas duas estações: uma seca, que vai de agosto a dezembro, também conhecida como “verão amazônico”, e outra chuvosa, que vai de janeiro a julho, conhecida como “inverno amazônico”.

11. Infraestrutura básica

A vila de Alter do Chão conta com uma infraestrutura básica de apoio ao turista. Além de pousadas e restaurantes, você encontra supermercado, farmácia, caixa eletrônico, lojas de roupas e de souvenirs, posto de saúde, igrejas, casas noturnas, dentre outras facilidades.

12. Atendimento

Desde a chegada a Alter do Chão, percebemos, de cara, o atendimento cordial das pessoas com quem tivemos contato. Seja na pousada, seja nos restaurantes, seja nos passeios ou nas comunidades ribeirinhas que visitamos, todos são muito simples e atenciosos. Tenha certeza que em Alter do Chão você será muito bem recebido!

(-) Pontos negativos de Alter do Chão

Alter do Chão não é um destino turístico perfeito. Há vários pontos negativos que convém informar ao visitante de primeira viagem.

Em primeiro lugar, chama atenção o preço do transporte. Um taxista nos cobrou R$ 140 para ir e voltar à Praia de Pindobal, um trajeto de 7 km, o que é um absurdo! Para o aeroporto, que são 35 km, nos cobraram R$ 120.

O serviço de transporte é prestado por taxis e por motoristas particulares. Não há Uber. Não chegamos a usar o serviço do aplicativo Boto Car, que é licenciado no município. Mas, tentei ligar para o telefone informado no app e ninguém atendida. Ademais, os preços indicados para os trajetos estavam sujeitos à variação.

Outro ponto negativo é que os preços dos passeios é um pouco caro. Não sai por menos de R$ 150 por pessoa num barco compartilhado. Mesmo por esse preço, é necessário esperar e torcer para a formação de um grupo de pessoas para v iabilizar o passeio.

Quanto à urbanização, verifiquei que, em muitos lugares na vila, não há calçadas ou estão com entulhos. O pedestres acabam tendo que caminhar pelas ruas junto com os carros.

Quanto ao meio ambiente, observei que moradores ou turistas deixam garrafas, embalagens e até barril de cerveja nas praias e na água. Não era muito lixo, mas chamava atenção. Um paraíso como aquele não merece lixo.

Por fim, durante a Pandemia de Covid-19, vimos que pouca gente, quase ninguém, usava máscaras nas ruas e nos passeios, o que, também revela uma falta de cuidado dos moradores e autoridades locais.

De qualquer forma, esses pontos negativos não me fazem deixar de querer visitar Alter do Chão. Vejo-os muito mais como uma oportunidade de melhoria e um alerta aos comerciantes e autoridades locais, que, se quiserem desenvolver o turismo local, terão que resolver essas questões.

Author

Apaixonado por viagens e por fotografia. Começou a descobrir o mundo há 10 anos e já visitou 71 países. Gosta de caminhar a esmo pelas cidades mundo afora, observando as pessoas, as comidas, as construções e a arquitetura. É formado em Engenharia e Direito.

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