Bento Gonçalves é um importante destino turístico no sul do Brasil. É considerada a capital nacional do vinho, sendo destino ideal para casais que pretendem apreciar a boa gastronomia local e visitar as vinícolas da região. Formada a partir de uma colônia de imigrantes italianos (Colônia Dona Isabel), a cidade preserva a cultura e a tradição da Itália.

Se você pretende visitar Bento Gonçalves, confira as 11 dicas essenciais para tornar a sua viagem mais produtiva e econômica.


Sobre Bento Gonçalves, leia também:


1. Quando ir a Bento Gonçalves?

Vale a pena visitar Bento Gonçalves em todas as estações. Eventos e festividades ocorrem durante o ano todo e são relacionados, principalmente, à atividade vitivinicultora. Mas, há também eventos relacionados ao livro, ao balonismo e a outros produtos da região.

  • Saiba mais sobre os eventos de Bento Gonçalves, clique aqui.

A baixa temporada ocorre na primavera e no outono. Nessa época, você consegue obter preços mais em conta nos hotéis e nas passagens aéreas.

No verão, entre janeiro e março, ocorre a vindima, uma festa típica de colheita das uvas.

Dados Climáticos em Bento Gonçalves (2019)
Dados Climáticos em Bento Gonçalves (2019) – fonte: Embrapa

O inverno, por sua vez,  é a melhor época para comer uma boa massa, tomar um bom vinho, e apreciar as paisagens naturais cobertas de geadas.

  • Fique atento: em qualquer época do ano, você deve levar um casaco, pois pode fazer um friozinho (ou até um friozão). As chuvas ocorrem durante todos os meses do ano, mas de junho a setembro é possível notar uma queda no número de dias com chuva e na precipitação em milímetros.

2. Onde ficar em Bento Gonçalves?

Em Bento Gonçalves, você pode ficar basicamente em três regiões: na área central da cidade, no Vale dos Vinhedos e nos arredores do município. Há acomodações para todos os gostos, simples ou luxuosas, com diárias a partir de R$ 160 para duas pessoas.

Infelizmente, houve um aumento significativo nos preços das diárias para a maioria das acomodações desde fevereiro/2020, quando visitamos Bento Gonçalves. Ademais, também observamos uma leve queda nas notas das avaliações dos hotéis e pousadas indicados. 

Escrevemos um artigo detalhado sobre as melhores regiões, hotéis e pousadas para se hospedar em Bento Gonçalves. Confira!

3. Como se deslocar em Bento Gonçalves?

Se você estiver hospedado na região central de Bento Gonçalves, poderá fazer muita coisa à pé pela cidade, como ir aos restaurantes no centro, conhecer as igrejas e o museu da imigração.  Bento Gonçalves é uma cidade agradável para caminhar, mas não é plana, ou seja, tem muitas subidas e descidas.

De qualquer forma, a maioria dos roteiros fica fora do centro e envolvem uma “atividade etílica”. Para poder degustar os vinhos (e as cervejas) com tranquilidade, eu recomendo que contrate um motorista local para fazer os roteiros.

No post Como chegar a Bento Gonçalves, indicamos vários motoristas locais que fazem esse serviço. Costumam cobrar entre 200 e 300 reais a diária de um carro para 4 pessoas.

A propósito, o Uber não funciona bem em Bento Gonçalves: poucos carros e muita demora.  Portanto, não conte com o Uber! Na região, você pode chamar um Radio Taxi ou tentar usar o aplicativo Garupa, um app de transporte próprio do Rio Grande do Sul.

De qualquer forma, só vale a pena usá-los se você for a um lugar específico, ficar lá e depois retornar para o hotel.  Mesmo assim, tenha em mente que, em regiões mais afastadas, pode não ter sinal de celular.

Enfim, não dá para ficar fazendo um pinga-pinga de app ou taxi, por exemplo, no Vale dos Vinhedos. Também não conte com o transporte público.

4. Quanto tempo ficar em Bento Gonçalves?

Recomendo passar de 4 a 7 dias em Bento Gonçalves. De fato, 4 dias é período mínimo para realizar os principais roteiros turísticos que incluem o Vale dos Vinhedos, o Vale do Rio das Antas e os Caminhos de Pedra, dentre outros. Por outro lado, ficar mais que 7 dias pode ser uma “dose” excessiva.

5. Vinícolas pequenas e familiares

Entrada da Vinícola Almaúnica, Vale dos Vinhedos, Bento Gonçalves
Entrada da Vinícola Almaúnica, Vale dos Vinhedos

Ao visitar a região de Bento Gonçalves, a primeira coisa que você deve ter em mente é que as melhores vinícolas são as pequenas e familiares. De fato, produção menor significa qualidade melhor. Além disso, o atendimento é personalizado. É muito comum que o próprio dono e sua família recebam pessoalmente os visitantes, seja para apresentar a propriedade, seja para a degustação.

Infelizmente, seus vinhos são desconhecidos do público brasileiro. As vinícolas podem não ter uma boa distribuição e um poder de negociação com os varejistas.  Assim, nas adegas e supermercados das grandes cidades, você só vai encontrar os produtos das cinco maiores fabricantes: Miolo, Aurora, Casa Valduga, Chandon e Salton.

6. Compre os produtos locais

Vinho Rosa Vento, Casa Postal Vinícola e Bistrô, Bento Gonçalves
Vinho Rosa Vento, Casa Postal Vinícola e Bistrô

Quando viajar para Bento Gonçalves, aproveite para comprar os produtos locais, especialmente, aqueles que você não encontra em sua cidade. Dentre os produtos da região, destaco:

  • os vinhos,
  • os chocolates,
  • os queijos,
  • o mate,
  • o doce de leite,
  • o salame e
  • as cervejas.

7. Aproveite a gastronomia local

Frango ao Molho de Cerveja, Caldeira Restaurante e Bar, Bento Gonçalves
Frango ao Molho de Cerveja, Caldeira Restaurante e Bar

Bento Gonçalves oferece restaurantes das mais variadas cozinhas e com preços mais em conta que os das grandes capitais brasileiras. Escrevemos um post com recomendação de 4 restaurantes excelentes. Confira!

Por lá, algo que você não pode deixar de fazer é um almoço harmonizado nas vinícolas. Geralmente, é necessário reserva, mas a experiência gastronômica vale a pena.

8. Conheça a história da imigração italiana

A imigração italiana, especialmente, a ocorrida entre 1880 e 1930, tem uma enorme influência na nossa cultura, gastronomia e no nosso modo de vida atual. Um estudo da Embaixada da Itália no Brasil (2013) revelou que 30 milhões de brasileiros são descendentes de imigrantes italianos, ou seja, 15% da população.

Apesar de a maioria dos descendentes ter ficado em São Paulo, foi no sul do Brasil que a imigração italiana deixou as suas marcas mais profundas, especialmente, na Serra Gaúcha.

Na região de Bento Gonçalves, parece que cada estabelecimento ou vinícola tem uma história que começa com um imigrante italiano, que trouxe para o Brasil as tradições, as técnicas agrícolas e a forma de produzir o vinho. As gerações seguintes deram continuidade e desenvolveram a região que é hoje é a maior produtora de vinho do país e constitui um dos mais importantes destinos turísticos brasileiros.

Ao visitar Bento Gonçalves, não deixe de prestar atenção em cada história que os anfitriões fazem questão de contar; de visitar o Museu do Imigrante em Bento Gonçalves, que contempla mais de 15 mil peças que retratam a história da imigração; e de participar dos eventos e festas típicas que ocorrem na cidade.

A única coisa a evitar são as atrações “pega-turista”.

9. Aprecie as paisagens e as construções típicas

Vale do Rio das Antas, Bento Gonçalves
Vale do Rio das Antas, Bento Gonçalves

Nos principais roteiros turísticos da Serra Gaúcha, você vai observar paisagens naturais incríveis. Podem ser belíssimos parreirais, cobertos ou não com a geada do inverno ou os belíssimos vales como o Vale do Rio das Antas.

Casa Ângelo, Caminho das Pedras, Bento Gonçalves
Casa Ângelo, Caminho das Pedras

Mas, não é só isso. Vai se encantar com as construções antigas, feitas de pedra ou de madeira, na rota Caminhos de Pedra. Algumas foram restauradas e transformadas em restaurantes ou lojas. Por fim, vai apreciar as igrejas e monumentos na região central de Bento Gonçalves, que se destacam pela simplicidade e pela conservação.

10.  Cuidado com atrações “pega-turista”

Como toda cidade turística, Bento Gonçalves também tem as suas atrações “pega-turista”, ou seja, aquelas que fazem o turista perder tempo e/ou dinheiro. Em Bento Gonçalves, tem duas atrações que não recomendo, a despeito de ter vários comentários elogiosos no Tripadvisor e no Google.

10.1. Casa do Tomate

A primeira é a Casa do Tomate, localizada na rota Caminho das Pedras.

Logo na entrada,  informaram-nos que a visitação custaria R$ 3.

Mas, não havia, de fato, uma visitação. A única coisa que fizemos foi ficar numa salinha e ouvir uma breve história sobre o caminho das pedras. Percebia-se que a atendente tinha uma fala decorada. Por vezes, ela apontava para um mapa desenhado na parede.

A única coisa que aprendemos durante essa visita foi que a origem do termo pomodoro (tomate em italiano) estava relacionada, nos primórdios, à maçã dourada ou maçã de ouro. Só isso!

Não houve visita às plantações de tomate ou à fábrica dos produtos de tomate.

Degustação na Casa do Tomate, Bento Gonçalves
Degustação na Casa do Tomate, Bento Gonçalves

Em seguida, nos dirigimos à loja, local onde seria feita a “degustação” de produtos.  Decepcionante! Havia apenas uma mesa circular com alguns molhos em potes abertos, algumas torradas e umas colheres de plástico. Nem deu vontade de provar! Queríamos ter degustado as bebidas ou os chocolates com tomate-seco, mas ficamos só na vontade.

Enfim, foi perda de tempo. Sinceramente, a “visitação” não vale nem R$ 3,00.

10.2. Maria Fumaça (Trem do Vinho)

A Maria Fumaça é um passeio animado em Bento Gonçalves. O trem parte de Bento Gonçalves e passa por Garibaldi e Carlos Barbosa, no Rio Grande do Sul. Há paradas nessas estações podendo haver também visita ao Parque temático Epopeia Italiana e à Fábrica da Tramontina.  Dentro do trem, há várias apresentações de dança e música típica italiana, bem como, uma degustação de vinhos e sucos. Alguns turistas se empolgam e dançam no corredor.

Passeio de Maria Fumaça, Bento Gonçalves
Passeio de Maria Fumaça [Créditos: Eugenio Hansen – Creative Commons]

Na minha opinião, o que mais pega nesse passeio é o custo-benefício. Atualmente, o preço por pessoa gira em torno de R$ 195. Além disso, os vinhos degustados não são os melhores.

Alguns turistas reclamam também (cf. comentários do Google):

  • não há paisagem no caminho a apreciar,
  • o passeio a partir de Gramado ou Canela é extremamente cansativo,
  • há cobrança de taxas extras,
  • cancelamentos do passeio feitos de última hora,
  • almoço self-service de baixa qualidade,
  • o passeio é artificial, pois não é a locomotiva que puxa a composição férrea.

A Maria Fumaça talvez seja um passeio bom para um turista de primeira viagem, mas, certamente, não o é para quem já tem certa experiência com viagens ou para quem é um bom apreciador de vinhos.

11. Vindima x Degustação

Como falamos, a Vindima é uma festa típica de colheita das uvas que ocorre no verão, entre os meses de janeiro a março.  Durante a festa, os visitantes fazem uma colheita simbólica das uvas, a pisa das uvas, apreciam a gastronomia local e assistem à apresentação de corais italianos.

Vindima na Vinícola Cainelli, Bento Gonçalves
Vindima na Vinícola Cainelli

A Vindima ocorre em várias vinícolas da região, mas são eventos muito concorridos. Geralmente, é necessário fazer reserva e pagamento com antecedência.

A experiência é divertida, mas é cara. Para 2022, os preços variam de R$ 170 a R$ 570 por pessoa.

Se você nunca foi, acho que vale a pena fazer uma vez. Mas, se você é um bom apreciador de vinho ou da gastronomia, seu lugar não é ali. Os vinhos servidos à vontade são os da linha de entrada, ou seja, os de mais baixa qualidade. A comida, por sua vez, é um lanche com polenta, queijo, salame e pães. Não espere nada refinado!

Vá pela festa e não pelo vinho ou pela comida!

Se você quer apreciar os vinhos, opte pelas degustações. Como regra, você não precisa reservar com antecedência* e paga de R$ 50 a R$ 100 por pessoa. Em algumas vinícolas, você pode até dividir uma degustação com mais de uma pessoa.

*Em razão da pandemia, muitas vinícolas passaram a exigir reserva com antecedência, inclusive, para degustação. Recomenda-se entrar em contato com a vinícola antes de se dirigir para lá. 

Se você é um apreciador da gastronomia, opte pelos bons restaurantes ou por um almoço harmonizado nas vinícolas.

Espero que essas dicas lhe sejam úteis. Uma boa viagem!

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