Quando Cristóvão Colombo chegou a Cuba, em 1492, assim descreveu “Esta es la tierra más hermosa que ojos humanos hayan visto”. Provavelmente, o navegador genovês se encantou com as belíssimas praias e águas de cor verde ou azul turquesa que margeiam a ilha caribenha.

Praia em Varadero, Meliá Varadero, Cuba
Varadero, Cuba

Hoje em dia, Cuba é muito mais que isso. Visitar Cuba é respirar história, cultura, apreciar belíssimos campos e sentir uma deliciosa vontade de voltar no tempo. Particularmente, me encantei com Havana, a capital e principal cidade da Ilha, com seus 2,5 milhões de habitantes.

Vale muito a pena passar de 5 a 7 dias em Havana, passeando pelas ruas do centro histórico, observando seus monumentos e sua arquitetura, visitando seus museus e se encantando com a alegria de seus habitantes. Um lugar para quem nunca se cansa de se surpreender…

Neste post, explico o que você deve saber antes de visitar Havana.

1. Havana é uma cidade agradável

Por do Sol no Malecón de Havana, Cuba
Por do Sol no Malecón de Havana

Havana é uma cidade agradável. A capital de Cuba é uma cidade arborizada, com avenidas amplas, poucos veículos e bonitas edificações antigas. Em especial, gostei do centro histórico (La Habana Vieja), do bairro de Vedado e do subúrbio de Miramar.

Estive por lá em março, quando o clima estava ótimo: quente, mas nem tanto, e sem chuva. De fato, a melhor época para viajar para Cuba é de dezembro a abril.

No verão, que ocorre nos meses junho a agosto, a temperatura é muito mais elevada. Nestes meses, a pluviosidade também aumenta. No final do verão, no segundo semestre, há riscos de furacões. Fique atento!

2. Turismo não é barato em Havana

Não imagine que, por ser um país mais pobre, o turismo é barato em Cuba. Mas, esses preços também não inviabilizam a visita ao país. Os preços dos serviços são compatíveis com os das principais capitais europeias.

A hospedagem, com certeza, é o item mais caro. A diária num hotel de 4 estrelas (Habana Riviera by Iberostar) custa R$ 670 (entre os dias 1 e 2 de junho de 2019 – pesquisa feita em 8/4 pelo site hotéis.com). Entretanto, há opções mais em conta em Casas Particulares ou hotéis mais simples.

O translado do Aeroporto de Havana (HAV) até a cidade, de táxi, custa em torno de 25 dólares. As corridas de taxi pela cidade geralmente custam 10 dólares.

Os shows também são caros. Um jantar com show no Buena Vista Social Club custa em torno de 50 dólares e no Cabaret Tropicana sai por 95 dólares.

Uma refeição num restaurante bom custa em torno de 10 a 15 dólares por pessoa. A propósito, indico o restaurante El Tablazo, no bairro Vedado, nas proximidades do Malecón.

3. Duas Moedas Correntes (unificação)

Até pouco tempo atrás, havia duas moedas correntes em Cuba: os pesos cubanos (CUP) e os pesos conversíveis (CUC). Os turistas só poderiam utilizar o peso conversível (CUC), que equivalia a cerca de 1 dólar. Por sua vez, o peso cubano era a moeda nacional, ou seja, a moeda utilizada pela população cubana. Quando visitamos Cuba, 1 CUC valia em torno de 26 CUPs.

Em 1° de janeiro de 2021, o Governo Cubano promoveu uma reforma econômica adotando, dentre outras medidas, a unificação das suas moedas. O peso conversível (CUC) foi eliminado e o peso cubano (CUP) passou a ser a única moeda em circulação.

Foi também fixada a taxa de câmbio entre o dólar e o peso cubano em 1 USD = 24 CUP.  Entretanto, especialistas apontam que a utilização de um câmbio fixo pode levar ao surgimento de um mercado paralelo de moeda (tal como ocorreu no Brasil e na Argentina, no passado) e/ou aumento de preços (inflação).

Um ponto positivo da medida é evitar os golpes de troca de moedas ao qual os turistas desavisados estavam sujeitos. Era muito comum que o turista confundisse o CUP, que valia menos, pelo CUC.

4. Imigração e Alfândega em Cuba

Aeroporto Internacional José Martí, Havana, Cuba
Aeroporto Internacional José Martí, Havana

Chegamos a Havana num voo da Copa Airlines. A imigração no Aeroporto Internacional José Martí em Havana foi bem tranquila. O oficial não fez muitos questionamentos e ainda nos deu as boas-vindas.

Entretanto, vi algumas pessoas sendo abordadas na fila e tendo que responder algumas perguntas. Eram provavelmente americanos.

Após a imigração, os passageiros passam pela inspeção de segurança das bagagens de mão.

Há uma banquinha onde você deve apresentar o seu Certificado Internacional de Vacinação de Febre Amarela, um documento obrigatório para os brasileiros que visitam Cuba.

Depois, você pega as malas e segue para a Alfândega. Deve entregar ao oficial da alfândega um formulário preenchido, que nos foi entregue pelo oficial que inspeciona as malas. É um por família.

No meu caso, foi tudo muito tranquilo e sem stress.

5. Tudo parece muito antigo em Havana

Capitólio, Havana, Cuba
Capitólio, Havana

Visitar Havana é, definitivamente, retornar no tempo. É observar construções antigas e a arquitetura colonial razoavelmente preservada. Mas, não para por aí…

Na esquina da Calle O Bispo com a Calle Aguiar, no centro histórico, encontra-se a Drogueria Johnson, fundada em 1898, ainda preserva muitas das suas características originais. Me chamou atenção os antigos recipientes usados para armazenar os medicamentos.

Drogueria Johnson, Havana, Cuba
Drogueria Johnson, Havana

 No hotel em que me hospedei, a decoração  remete aos anos 50, bem como o mobiliário, a piscina e o elevador.

O show Buena Vista Social Club, tradicional atração turística, apresenta canções cubanas dos anos 50.

6. Um paraíso para os amantes de carros antigos

Veículo conversível em Havana, Cuba
Veículo conversível em Havana, Cuba

Havana é o paraíso para quem aprecia os veículos antigos. Incrivelmente conservados, alguns deles foram reformados para incluir ar-condicionado e outras modernidades.

É muito comum ver turistas passeando pela cidade com veículos conversíveis e parando para tirar fotos com essas preciosidades. É um grande negócio para os proprietários de veículos que costumavam cobrar até 50 CUCs por 2 horas de passeio.

No nosso caso, fizemos um roteiro de um dia por Havana com um Ford 52, passando pelas principais atrações turísticas da cidade.

Ford 52 do Taxista Gian Carlo, Havana, Cuba
Ford 52 do Taxista Gian Carlo

Antes da revolução cubana, os carros americanos eram livremente importados pelo país. Após o embargo americano (1961), este comércio cessou. Em razão disso, a maioria dos carros que você vai encontrar em Havana são dos anos 40 e 50.

A partir dos anos 80, os veículos russos da marca Lada também passaram a ser importados por Cuba. Hoje em dia, também é possível encontrar veículos chineses e até mesmo Mercedes e BMWs trafegando pelas ruas de Havana.

7. Música e Dança em todo lugar

Performance nas ruas do centro histórico de Havana, Cuba
Performance nas ruas do centro histórico de Havana

Em Havana, vai notar que há música e dança em tudo quanto é lugar. No café da manhã; no lobby do hotel; nos restaurantes; nas ruas do centro histórico; e nos shows noturnos (e pagos) que a cidade oferece.

Bodeguita del Medio, Havana, Cuba
Bodeguita del Medio

Merece destaque o bar e restaurante La Bodeguita del Médio, na Calle Empedrado do centro histórico. Muita gente, clientes e passantes, se aglomeram em torno do bar para ouvir os músicos tocarem.

8. Transporte: Como se deslocar em Havana?

Taxis amarelos em Havana, Cuba
Taxis amarelos em Havana, Cuba

O melhor meio de transporte em Cuba é o taxi. Não recomendo utilizar os ônibus urbanos, pois, além de antigos, costumam estar lotados.

Você encontra taxis em todos os lugares. Os melhores e mais novos são os amarelos. Aparentemente, são estes os taxis licenciados.

Sempre negocie com o taxista o valor da corrida antes de entrar no veículo! Em geral, cobrava-se 8 CUCs durante o dia e 10  CUCs durante a noite, nos trajetos dentro da cidade.

Em Havana, você também encontrará os Coco-Taxis, que são tuk-tuks cuja carenagem, como o próprio nome diz, tem um formato de Coco.

Os veículos antigos são mais utilizados para passeios turísticos.

9. Segurança

Havana é uma das capitais mais seguras das Américas. Entretanto, é sempre bom ter cautela com as ofertas nas ruas e com os possíveis golpes (scams). Cuidado com os punguistas nas aglomerações.

Na região central, se alguém se oferecer para tirar uma foto com o seu celular, não aceite. Caso contrário, é possível que ele corra levando o seu aparelho de recordação.

Salvo no centro histórico, não encontrei passagens para pedestres nas ruas e avenidas. Como eu falei, o trânsito de veículos não é muito intenso, mas é sempre importante ter cuidado ao cruzar as vias.

10. Internet

A Internet é restrita em Cuba. Já foi mais. Atualmente, é possível acessá-la via Wifi em diversas praças públicas e nos lobbies dos hotéis. Entretanto, é necessário adquirir uma Tarjeta de Navegación da empresa ETECSA, um cartão com usuário e senha, que te permite utilizar Internet por até 5 horas. O cartão de 1 hora custava 1 CUC e o de 5 horas custava 5 CUCs.

Tarjeta de Navegación, Cuba
Tarjeta de Navegación, Cuba (Créditos: slgckgc Flickr.com)

Você não precisa utilizar a internet de forma contínua. Ao se desconectar, poderá utilizar o tempo remanescente numa outra oportunidade.

Não vi nenhum site ou serviço bloqueado. No hotel onde me hospedei, a qualidade da internet era boa, permitindo, até mesmo, assistir vídeos do Youtube e carregar vídeos nas Stories do Instagram.

Alguns restaurantes oferecem Wifi gratuito para seus clientes.

Observei, também, que os chips com Internet 3G só estavam disponíveis para alguns taxistas.

11. Supermercados

Supermercado em Cuba
Supermercado em Cuba

Em Havana, você provavelmente não encontrará grandes hipermercados como o Extra ou Carrefour. Entretanto, há supermercados onde você pode adquirir diversos produtos de alimentação, higiene etc. O que eu notei de diferente é que muitos se parecem com mercadinhos e não há tanta variedade de produtos. De qualquer forma, é possível que você encontre muitos produtos brasileiros por lá, como chocolates, leite e panetones.

12. Fumo

Loja de Charutos, Havana, Cuba
Loja de Charutos, Havana

Nos últimos 25 anos, algo que evoluiu positivamente no Brasil foi a restrição ao fumo em ambientes fechados, o que não ocorre em muitos países ditos desenvolvidos.

Em Cuba, você vai encontrar muita gente fumando em praticamente todos os lugares, inclusive em ambientes fechados. Isso pode incomodar alguns não fumantes, como é o meu caso. Em Havana, vi restrições de fumo em poucos lugares, como, por exemplo, no Aeroporto.

13. Saúde

Não se esqueça de fazer o seguro-saúde. Não há atendimento gratuito para o turista. Na verdade, existem locais específicos que prestam atendimento apenas a turistas.

A grande maioria das seguradoras não tem cobertura no país, portanto, esteja preparado para, numa eventualidade, pagar pelo seu tratamento, e depois solicitar o reembolso.

Sofri um entorse de tornozelo durante a minha estadia. Enquanto aguardávamos conseguir informações do seguro, o hotel enviou uma enfermeira para me avaliar. Essa enfermeira é paga pelo governo para prestar o primeiro atendimento aos turistas nos hotéis. O atendimento foi excelente. Posteriormente, ela nos recomendou o Hospital Cira Garcia que não tinha filas, prestava um bom atendimento, mas era pago.

14. Compras e serviços em Havana

Você será abordado por pessoas oferecendo seus produtos e serviços e se sentirá tentado a pechinchar. É claro que qualquer economia é bem-vinda em nossas viagens, mas tentem não exagerar, afinal os ganhos dos cubanos, no final das contas, são baixos.

  • Por exemplo, um taxista que nos levou de Havana a Varadero cobrou 100 CUCs pelo serviço de transporte. Foram duas horas de viagem e ele, muito provavelmente, retornou a Havana com o carro vazio. Segundo nos informou, a licença do taxi custava 1700 CUC por mês.

Portanto, perceba o quanto ele deve trabalhar para obter algum lucro!

Médica, 42, apaixonada por pessoas, sabores e novas culturas.

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