As milhas aéreas podem ser um excelente instrumento para viajar mais e mais barato. Entretanto, há algumas armadilhas neste caminho. Fazer uma boa gestão dos seus pontos é essencial para que você não caia numa destas armadilhas, evitando o desperdício de pontos e de dinheiro.

Neste artigo, vamos desfazer alguns mitos sobre pontos e milhas para que você tome decisões mais acertadas.

Mito 1: Ganhamos milhas de graça

As milhas aéreas não são gratuitas! Elas tem um custo para o cliente.

Isso fica evidente na taxa adicional que pagamos em algumas companhias low-cost para receber as milhas daquele voo. Também fica evidente quando compramos milhas diretamente dos programas de fidelidade (e pagamos caro!). Nesses casos, o preço das milhas é explícito.

Em outras situações, o custo das milhas está implícito no preço. Pode estar incluído no preço da tarifa aérea ou nos custos de transação do seu cartão de crédito.

No primeiro caso, isso fica mais claro quando existe um perfil de tarifa promocional em que você não recebe milhas (tarifa promo). Ou seja, você tem que optar por um perfil de tarifa mais caro se quiser acumular pontos. A diferença de preço das tarifas pode ser considerada o custo das suas milhas.

Quanto aos cartões de crédito, observe que os que te fornecem mais milhas são aqueles que cobram maior anuidade. Além disso, a operadora recebe um percentual em cada transação que você faz. Não é à toa que muitos comerciantes oferecem descontos para quem paga em dinheiro, boleto ou em cartão de débito.

Em raras exceções, os programas de fidelidade oferecem milhas gratuitas para quem neles se inscreve; para quem responde questionários; para quem convida amigos para participar do programa; ou quem participa de determinados games. Essas possibilidades são raras e os “prêmios” são muito baixos (menos de 500 pontos).

Por outro lado, as milhas tem valor. Atualmente, podem ser usadas para aquisição de diversos tipos de bens e serviços e, até mesmo, comercializadas irregularmente. Enfim, milhas tem custo e tem valor.

Dito isso, é importante ter consciência do custo das suas milhas para usá-las da melhor forma possível, maximizando a relação custo-benefício. Além disso, você deve ter cuidado com as estratégias para conseguir milhas de forma artificial, pois, no final das contas, você sempre está pagando.

Mito 2: os programas de fidelidade são meros instrumentos de fidelização

Inicialmente, os programas de fidelidade, como o próprio nome diz, eram mecanismos criados pelas empresas para incentivar os seus clientes a permanecerem adquirindo seus produtos ou serviços.

Estes programas começaram simples, como aqueles da pizzaria (compre 10 pizzas, junte os cupons da caixa e ganhe uma pizza), e foram evoluindo até chegar aos instrumentos de fidelização mais complexos, baseados em pontos e com vários níveis de fidelização. Isso sem falar nas várias possibilidades para acumular ou utilizar os pontos. De qualquer forma, a ideia principal era fidelizar o cliente.

Com o passar do tempo, o objetivo principal desses programas mudou. Hoje em dia, alguns programas de fidelidade são empresas distintas, controladas pelas companhias aéreas, e, portanto, visam lucro.

O fato de o acumulo de milhas estar cada vez mais baseado no preço da sua passagem e menos na quantidade de vezes que você voa pela companha aérea é evidência de que se está premiando cada vez menos a fidelização e mais o lucro que você gera para a empresa.

Algumas dessas empresas têm, até mesmo, ações negociadas na bolsa de valores, como é o caso do Smiles (SMLS3) e do caso da Multiplus (MPLU3). A propósito, os indicadores de rentabilidade do Smiles, por exemplo, são bem melhores que os da própria Gol (que são até negativos).

Nada contra estas empresas serem lucrativas (é importante que sejam), mas, nesse cenário, você deve ter sempre isso em mente ao avaliar as promoções oferecidas pelos programas de fidelidade, incluindo, os clubes de pontos.

Mito 3: É bom fazer uma poupança em milhas

Por serem empresas, os programas de fidelidade frequentemente alteram as suas regras de acúmulo e de utilização das milhas, com vistas a manter ou aumentar a sua lucratividade. A tendência é ficar cada vez mais difícil acumular e utilizar as milhas aéreas.

É comum observar que um voo que podia ser comprado por 10 mil milhas num determinado ano só poder ser comprado por 20 mil milhas no ano seguinte. Esse fenômeno é conhecido por Inflação das Milhas. O valor das milhas é desvalorizado, unilateralmente, pelas companhias aéreas, sem que o cliente possa fazer nada a respeito.

Esse fenômeno ocorre, especialmente, quando há uma grande disponibilidade de milhas em estoque para uma pequena quantidade de assentos-prêmio disponíveis.

Fique atento: A desvalorização das milhas pode ocorrer logo após promoções que pareçam muito vantajosas para os clientes, tais como, bônus de 100% na compra ou transferência de milhas.

Definitivamente, milhas não são um bom investimento no longo prazo!

Mito 4: É sempre vantajoso comprar passagem com milhas

Em 2009, viajei de Aracaju para Santiago do Chile, em classe executiva, por apenas 15 mil pontos do antigo TAM Fidelidade. Havia disponibilidade de assentos nessas condições em qualquer época do ano. A diferença entre a classe econômica e a executiva era de apenas 5 mil pontos. Em dinheiro, o preço da executiva era 2 ou 3 vezes maior.

Ocorre que a época das vagas gordas acabou!

Em 2019, em baixa temporada, o mesmo voo na classe executiva saia por, pelo menos, 34 mil pontos Multiplus (Latam Pass).

Como eu falei, está cada vez mais difícil acumular e utilizar as milhas aéreas.

Isso decorre, principalmente, da crise das companhias aéreas, no Brasil e no Exterior. As margens de lucro das empresas aéreas são baixíssimas, sempre inferiores a 5% da receita. Isso quando dão lucro! A pandemia, por sua vez, foi um golpe duríssimo em muitas companhias aéreas. Poucas vão sobreviver!

Há uma tendência de alinhar os preços em milhas aos preços das passagens em dinheiro. Outras cobram taxas de emissão. Esses fatores fazem com que a emissão com pontos torne-se menos atrativa.

Mas, ainda assim, há boas oportunidades, ainda que com menor disponibilidade. Você vai ter que pesquisar!

Conclusão

Não quero ser pessimista, mas, tão somente, afastar a ilusão trazida por alguns sites e perfis na internet que prometem fazer milagres com as milhas (para vender seus produtos e serviços). Na minha sincera opinião, isso não existe mais! Neste blog, você irá conferir mais sobre a gestão das milhas aéreas para poder viajar mais, pagando menos.

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