Um resort não é um simples hotel. Além de oferecer acomodação, o resort é um espaço de relaxamento e recreação. Um resort all inclusive, como o próprio nome sugere, inclui, no pacote de serviços, todas as refeições diárias (café da manhã, almoço, jantar) e eventuais consumos entre as refeições .

Em suma, um resort all inclusive mantém seus clientes concentrados num único local, realizando diversas atividades, apreciando shows e fazendo todas as suas refeições diárias.

A decisão de ficar ou não num resort all inclusive depende muito do seu estilo de viagem, dos seus propósitos, dos seus parceiros de jornada e do próprio destino turístico escolhido.

Um resort não é indicado, por exemplo, para quem pretende fazer passeios (day trips ou city tours), pois deixará de aproveitar as facilidades da acomodação, pelas quais está pagando caro.

Nas minhas viagens, já estive em vários resorts all inclusive no Brasil e no exterior. Compartilho com vocês a minha experiência a seguir, ressaltando que as conclusões representam opiniões pessoais baseadas numa análise custo-benefício.


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Vantagens de ficar em um resort all inclusive

1. Um espaço de relaxamento

Um resort é, acima de tudo, um espaço de relaxamento para quem vive nas grandes cidades, estressado com o trânsito e com a correria do dia-a-dia. Num all inclusive, você não precisa se preocupar com nada. As atividades recreacionais, shows e refeições estão todas disponíveis para você.

2. Viagem com crianças

Ficar num resort é uma excelente opção para casais com crianças pequenas. A partir de 4 anos, você pode deixar seus filhos com a equipe de recreação do resort e ter um pouco de descanso também: um duplo descanso! Só no final da tarde, as crianças voltam à companhia dos pais.

  • Para crianças menores, pode ser necessário contratar o serviço de baby-sitter, mas alguns resorts estão investindo em acomodações e programações para crianças menores, tornando a vida dos pais ainda mais fácil.

3. Viagem com idosos

O resort também é recomendado para idosos, que podem ter dificuldade para ficar se deslocando para lá ou para cá e querem realizar atividades de baixo impacto, como hidroginástica e aulas de dança.



4. Viagens em grupo ou em família

Para viagens com grupos grandes ou famílias numerosas, o resort all inclusive também é indicado.

Nesse tipo de viagem, a companhia talvez seja o mais importante e cada um fica livre para fazer as atividades que quiser ou comer o que desejar num mesmo espaço físico. Afinal, quem já viajou com muitas pessoas sabe a dificuldade de conciliar tantas vontades e interesses.

5. Atrações fora do resort não são interessantes

É bom ficar em um resort all inclusive quando as praias do destino não são muito bonitas ou quando as demais atrações turísticas não são tão interessantes. O resort oferece, assim, uma boa estrutura para você aproveitar suas férias.

Desvantagens de ficar num resort all inclusive

Os resorts all inclusive, entretanto, têm muitas desvantagens em relação às outras opções de hospedagem.

1. O preço

As diárias de resort são mais caras, até mesmo, que muitos hotéis de 4 ou 5 estrelas. Se você desejar um all inclusive, prepare-se, ainda, para pagar um pouco mais, pois a diária leva em conta o consumo médio por hóspede. Ou seja, se você come pouco, irá pagar por quem come muito.

Uma alternativa a ser cogitada é ficar num resort, mas contratar apenas o buffet de café da manhã. Na figura a seguir, consta o preço da diária para duas pessoas no Resort Krystal Cancún com os diferentes regimes de alimentação.

Pesquisa de preços do Resort Krystal Cancún no Booking.com
Análise dos preços do Resort Krystal Cancún no Booking.com

No caso, a diária all inclusive sai por R$ 1.306,00, um valor que considero alto. A diferença entre o regime tudo incluído e o regime com café da manhã é de R$ 424 por dia. A questão é saber se o casal consegue almoçar e jantar num dia com este valor (ou só o jantar, se você fizer um day trip).

Costuma-se falar que uma vantagem dos resorts é pagar um preço fechado e não ter surpresas no final da hospedagem. Mas, como não existe almoço grátis, a surpresa só será antecipada para o momento de contratar a acomodação.

2. Ficar num resort é bom, mas por pouco tempo.

Ficar num resort por mais de 3 dias é entediante. São as mesmas atividades, a mesma piscina, as mesmas refeições, etc. Após 3 dias, eu fico doido para sair, ver o que a cidade tem a oferecer, etc. É bom lembrar que os pacotes fechados com as agências e operadoras costumam ser de 7 dias.

3. Resorts são afastados da cidade

Os resorts, em geral, ficam afastados da cidade, o que dificulta conhecer outras atrações. Além disso, prepare-se para pagar mais caro em todos os serviços ou produtos não incluídos na sua tarifa.

4. Uns quilos a mais

Costumo dizer que um resort é um spa às avessas. De fato, se você escolheu o regime all inclusive, espere para voltar para casa com alguns quilos a mais. Com a fartura, é difícil quem não coma e beba além do necessário.

5. Não espere mordomias nem uma qualidade excepcional

Na maioria dos resorts, há um restaurante geral, do tipo self-service, e outros restaurantes mais finos e especializados. Nestes, o serviço é à la Carte, mas é necessário fazer reserva com antecedência. Nem sempre tem vaga. De qualquer forma, a sua qualidade não é superior à dos bons restaurantes da cidade.

No regime all inclusive, é comum ter bebidas alcoólicas à vontade, mas quem gosta de bons vinhos ou de boas cervejas certamente vai se decepcionar. Para baixar os custos, os rótulos oferecidos não são dos melhores.

Também não espere que os shows noturnos sejam como os da Broadway. Em Cancún, por exemplo, é famosa a apresentação do Michael Jackson, que é muito ruim.


Em suma, se você não tem filhos ou se eles já não são mais crianças ou não vai viajar com idosos, não vejo muita razão para optar por um resort all inclusive.


Antes de contratar um resort all inclusive…

Em primeiro lugar, consulte o site do estabelecimento e verifique quais são os serviços e atividades oferecidos e qual a infraestrutura do resort (piscinas, academia, spa, restaurantes, etc).

É importante lembrar que há resorts de todos os tipos e qualidades. Não é porque tem o “resort” no nome que a acomodação será de boa qualidade. Os melhores costumam ser mais caros, mas o inverso nem sempre é verdadeiro.

Em segundo lugar, confira as avaliações da acomodação. Isso é essencial! Uma coisa é o que é anunciado, outra é a realidade. É essencial ler os reviews para confrontar o que é prometido com o efetivamente cumprido. Em especial, gosto de consultar as avaliações do site Booking.com e do site Tripadvisor.

Em terceiro lugar, verifique as opções de passeios, de atrações e de restaurantes no destino fora do resort. Ter bastante coisa para fazer fora da acomodação é um indicativo que talvez seja melhor ficar num hotel comum ou optar pelo regime de refeições apenas com café da manhã.

Em quarto lugar, compare os preços das diárias nos diferentes regimes de refeição: café da manhã, meia-pensão ou tudo incluído. Se a diferença de preço for grande, pode valer a pena cogitar ficar apenas com o café da manhã e fazer as demais refeições fora do estabelecimento.

Uma vez escolhido o local, você pode contratar um resort por conta própria ou por pacotes em agências ou operadoras de viagem. Não deixe de pesquisar os preços em mais de uma fonte ou site. Algumas operadoras podem ter tarifas promocionais.

Além disso, faça reservas com cancelamento gratuito. Caso contrário, se você, por qualquer motivo, não puder fazer a viagem, terá que arcar com uma boa grana. O site em que costumo fazer reservas com cancelamento gratuito é o Booking.com.

E vale a pena ficar num resort all inclusive no exterior?

Quase sempre, não. Pode ser interessante em poucas situações:

  • se você quiser ficar em um resort com acesso a parques temáticos (Disney, Universal Studios, Legoland, etc.);
  • num local com uma incrível beleza natural (numa ilha paradisíaca, p. ex.);
  • ou se o resort representar apenas uma parada dentro de uma viagem maior.

Se sua intenção for apenas descansar, procure um resort no Brasil. Você pagará mais barato (em reais, não em dólares), aproveitará um clima melhor (no Nordeste, p. ex.) e ainda não precisará lidar com toda a burocracia de viajar para o exterior (passaporte, seguro-saúde, visto, etc.).

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Médica, 42, apaixonada por pessoas, sabores e novas culturas.

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