Yangon (antiga Rangoon) é a cidade mais populosa de Myanmar (antiga Birmânia) com 5 milhões de habitantes. É também a cidade economicamente mais importante do país. Foi capital até 2006, quando a junta militar que governava o país resolveu realocar a capital para Naypyidaw.

  • Yangon é a principal porta de entrada de Myanmar. De fato, a maioria dos voos internacionais tem como destino o Aeroporto Internacional de Yangon (RGN). Dentre as empresas que operam no aeroporto, destacam-se: Air China, Air India, Malaysia Airlines, Emirates, Qatar Airways,  Cathay Pacific, Thai, Air Asia e Bangkok Airways. Outro destino  com voos internacionais é Mandalay (MDL) ao norte do país.

Myanmar ainda não foi inundada pelos turistas tal como aconteceu com a Tailândia, o que torna a visita ao país uma experiência ainda mais autêntica. Até pouco tempo atrás, a antiga Birmânia vivia uma ditadura militar e era um país fechado.

Brasileiros e portugueses necessitam de visto para entrar no país, mas é possível obtê-lo de forma online.

Chegamos em Yangon num voo a partir de Hanoi, no Vietnã. Já saindo do aeroporto, encontramos uma cidade grande, com muitos carros e algumas construções modernas, contrastando com a ideia que eu havia feito da cidade. Ao mesmo tempo, tem belos templos, lagos e uma população simples e muito receptiva.

Assim foi minha visita a Yangon: surpresa e encantamento. Não é o principal destino de Myanmar, mas a cidade tem atrações suficientes para 2  dias de viagem.

Confira como foi a nossa experiência!

Um pouco de história

Myanmar passou por um período de democratização recente, com destaque para a atuação de Aung Sang Suu Kyi, líder da Liga Nacional para a Democracia e filha do General Aung San, que teve um importante papel na independência da Birmânia do Império Britânico.

Ele foi assassinado em 1947, quando Aung Sang Suu Kyi tinha apenas 2 anos. Aung Sang Suu Kyi foi condecorada com o Prêmio Nobel da Paz em 1991, mas não pode recebe-lo naquela data. Ficou sob prisão domiciliar por muitos anos. A junta militar que governava o país deixou formalmente o poder em 2011, mas ainda continua a exercer forte influência no país.

Onde ficar em Yangon?

Demoramos aproximadamente uma hora para chegarmos em nosso hotel (Best Western Chinatown) por causa do congestionamento. Pagamos 9000 kyats pelo trajeto. Já próximo ao hotel pudemos observar as ruas de terra, o esgoto a céu aberto e lixo na rua. Mas, ainda assim, não era o que eu tinha imaginado!

O Hotel Best Western Chinatown está localizado no bairro de Chinatown. Na região do hotel, há um bom comércio, com lojas de conveniência, farmácias, barracas de rua etc. O atendimento é bom, mas achei que os funcionários não sabiam orientar muito bem quanto a passeios e opções turísticas. Os quartos (instalações) são bons, mas no que fiquei a janela dava para uma parede. O barulho externo, oriundo de sons/músicas religiosas, era alto e costumava ocorrer até as 21hs.

Restaurante Shan Yo Yar

Por já ser noite, optamos apenas por jantar e descansar. Fique atento pois  todos os restaurantes fecham cedo. Jantamos no Restaurante Shan Yo Yar e esse não era exceção! O último pedido para a cozinha deveria ser feito até as 21.30hs. A comida era local, com excesso de pimenta e as sobremesas haviam acabado.

Dia 1

No primeiro dia em Yangon contratamos uma van para nos levar aos principais pontos turísticos da cidade. O motorista, que fazia as vezes de guia (ele foi honesto, nos disse que não era guia, embora conhecesse muito dos pontos aos quais nos levou), escolheu o itinerário.

Shwedagon Pagoda

Shwedagon Pagoda, Yangon, Myanmar
Shwedagon Pagoda, Yangon, Myanmar

A primeira parada foi na Shwedagon Pagoda.

Vou exagerar nas fotos para que elas falem por mim. A Pagoda é fantástica, indescritível. Na verdade, me faltam adjetivos para descrevê-la!

Logo na entrada, existem pessoas que cuidam dos seus sapatos e, “em troca” , você compra umas flores para oferecer ao buda.

Shwedagon Pagoda, Yangon, Myanmar
Entrada da Shwedagon Pagoda, Yangon, Myanmar

O acesso custa 8000 kyats por pessoa e se dá por escada rolante ou elevador.

Esse complexo de aproximadamente 2500 anos possui uma estupa central dourada folheada a ouro e com aproximadamente 4500 diamantes encrustados no topo dos seus 95 m de altura. Em volta da estupa estão 64 pequenas pagodes. Essa enorme estupa, em formato de sino, pode ser vista de qualquer lugar, tanto da Pagoda como da cidade, principalmente à noite quando fica iluminada.

Shwedagon Pagoda, Yangon, Myanmar
Friday Corner – Shwedagon Pagoda, Yangon

Como todas as Pagodas, existem 4 entradas, mas independente de qual você escolher, não terá erro, pois encontrará um caminho circular! Apenas atente-se ao fato que a visita deve ser feita no sentido horário.

Shwedagon é também o principal sitio religioso de Myanmar pois acredita-se que lá existam relíquia dos 4 Budas, como por exemplo, 8 fios de cabelo do buda Siddharta. Os turistas a visitam pela sua grandiosidade e beleza única, mas, os Birmaneses vão para rezar, prestar homenagem aos Budas, agradecer aos Nats e livrar -se do mau Karma.

Para esse renascimento, além das orações, são feitas muitas oferendas de frutas, flores, e incensos (esse último, para invocar os espíritos). É bastante comum também o Ritual da Lavagem do Buda. Não deixe de faze-lo!!

Para fazer o Ritual, você deve encontrar o Buda do dia da semana do seu nascimento (cuidado: a quarta-feira possui 2: o da manhã e o da tarde) e despejar uma caneca de água nele por 7 vezes!

Família de Myanmar na Shwedagon Pagoda
Família birmanesa na Shwedagon Pagoda

No mesmo complexo existem inúmeros templos e estupas menores. Reserve no mínimo meio dia para essa visita.

Essa Pagoda, na minha opinião, é tão bonita quanto o Royal Palace de Bangkok, entretanto, tem muito menos turistas e você consegue sentir o clima de paz e harmonia no local. Você pode rezar tranquilamente ou mesmo meditar sem ser incomodado. Pudemos ver inúmeros locais fazendo lanches com a família dentro do complexo e monges fazendo suas orações. Achei isso sensacional! Para mim, essa combinação de beleza e paz torna Shwegadon a Pagoda mais bonita que já conheci (ultrapassou a Tailandesa que era minha preferida).

Karaweik Palace

Karaweik Palace, Yangon
Karaweik Palace, Yangon

Como nosso tempo era curto, passamos para o próximo destino, mas alguns do nosso grupo iriam voltar a Shewgadon no dia seguinte para aprecia-la durante a noite e curtir um pouquinho mais dos bons fluidos e energia do local.

Chegamos ao Kandawgyi Nature Park, uma área com vários bares, restaurantes simples e o imponente Karaweik Palace, no lago de mesmo nome.

Almoço no Karaweik Palace, Yangon
Almoço no Karaweik Palace, Yangon

Esse palácio, construído em formato de barco real, funciona hoje como um restaurante. É claro que aproveitamos para almoçar lá! Durante o almoço pudemos presenciar show de marionete e musica local. Durante o jantar há um show típico. O menu possuía comida local e internacional. Saborosa e com preços razoáveis, mas a cozinha também fechava cedo. Não nos avisaram e ficamos sem sobremesa de novo!

Demos uma volta no lago o que nos rendeu fotos lindíssimas.

Chaukhtatgyi

Chaukhtatgyi, Yangon
Chaukhtatgyi, Yangon

Logo após o almoço passamos por Chaukhtatgyi, o templo em que fica o maior Buda reclinado de Myanmar. Ele tem 55 metros e estava sendo restaurado. É interessante, mas, nesse caso, o de Bangkok é muito mais impressionante com seus pés de madrepérola. Vale a pena passar por lá? Se tiver tempo sim!

Chaukhtatgyi
Chaukhtatgyi

Nosso guia fez questão de nos levar ao recém inaugurado  Myanmar Plaza. Um shopping center, com 3 andares e lojas de marca internacional. Bastante comum para nós mas, motivo de orgulho para eles!

Finalizamos o dia passando em frente ao Inya Lake, local para se fazer atividades física e se apreciar o belo por do sol de Yangon.

Dia 2

Decidimos caminhar pelas ruas de China Town para ter um visão melhor da realidade local. Confesso que andar pelas ruas de Yangon não foi uma experiência muito agradável! As calçadas são irregulares, os esgotos correm em vales, há ruas de terra com muito lixo acumulado e o calor é forte!

Bogyoke Market

Bogyoke Market
Bogyoke Market

Seguimos em direção ao Bogyoke Market, principal mercado da região. Nele você encontra muitas joias, pedras preciosas, artesanato local e tecidos.

Infelizmente nada me chamou a atenção! Os tecidos eram grosseiros e as joias tinham um design um tanto antigo, pesado e rebuscado. Além disso, não tínhamos como saber se eram verdadeiras ou não. Preferi não arriscar!

Sule Pagoda

Sule Pagoda, Yangon
Sule Pagoda, Yangon

Uns 3 quarteirões para a frente, virando à direita, encontramos a Sule Pagoda. A entrada custa 4000 kyats e mais uma “doação” de uns 1000 kyats para deixar os sapatos.

Sule Pagoda
Sule Pagoda

Vale a pena? Talvez se a tivéssemos visitado antes de conhecer Shwedagon. Mas depois, deixou a desejar! Com uma estupa central e alguns templos ao seu redor, encontramos muitos locais fazendo suas preces, entretanto não havia nenhum atrativo extra.

Maha Bandoola Garden

Maha Bandoola Garden
Maha Bandoola Garden

Logo ao lado da Sule Pagoda há um agradável jardim com homenagem ao General Maha Bandula, que lutou contra os Britânicos na Primeira Guerra Anglo-Birmanesa (1824-1826).

É o Maha Bandoola Garden ou Maha Bandoola Park. No centro, há um obelisco à Independência. Paramos para nos refrescar um pouco na sombra e seguimos caminho pela avenida costeira (Strand Road).

Tony Roma’s

Minha intenção era acompanhar o rio Yangon, mas não dá. É uma avenida grande, sem qualquer vista para o rio, mas para nossa felicidade, encontramos um Tony Roma´s, excelente cadeia norte americana que possuía um menu de almoço com um belo bife sem pimenta!

Templo Chinês: Kheng Hock Keong

Templo Chinês Kheng Hock Keong
Templo Chinês Kheng Hock Keong

Após o almoço seguimos a Strand Road em direção a um Templo Chinês, o Kheng Hock Keong, que vale uma visita rápida caso esteja nas imediações.

Yangon Circular Train

Yangon Circular Train
Yangon Circular Train

Havíamos ouvido falar de um trem de linha (Yangon Circular Train), circular, cujo trajeto dura 2h40min e nos daria a oportunidade de ver como a população local vive. Fomos até a estação central pegar o tal trem. A passagem custou 300 kyats por pessoa. Diria que foi interessante, mas descemos logo pois o calor era forte e não teríamos paciência para a volta completa.

Yangon Circular Train
Yangon Circular Train

Em 4 estações mais ou menos já tínhamos tido a oportunidade de vivenciar o que queríamos e optamos por descer na estação próxima ao Shopping Junction Square onde compramos alguns queijos e vinhos para o jantar.

Yangon Circular Train
Yangon Circular Train

No terceiro dia, pegamos o voo de em direção a Bagan.

Resumindo…

Yangon é a porta de entrada de Myanmar. A maioria dos voos internacionais tem como destino Yangon (RGN) ou em Mandalay (MDL).

Em dois dias, conseguimos visitar as principais atrações da cidade, que ainda não tem uma boa infraestrutura turística. Afinal, até pouco tempo atrás, Myanmar era um país fechado.

Talvez devêssemos ter ficado mais um dia, pois faltaram algumas atrações que pareciam interessantes: National Museum, People’s park, Geiu Museum e Boguoke Aung Sau Museum.

De qualquer forma, recomendo uns 2 ou 3 dias nessa cidade em desenvolvimento, mas com um povo muito hospitaleiro e alegre.

Médica, 42, apaixonada por pessoas, sabores e novas culturas.

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