Lisboa, em Portugal, é um daqueles lugares que você não deve visitar uma única vez. Dificilmente você vai conseguir aproveitar tudo o que a capital portuguesa tem para lhe oferecer. Ou seja, você tem que voltar!

Minha primeira viagem à Lisboa foi em dezembro de 1994 e, desde então, retornei à capital portuguesa outras 4 vezes. Sinceramente, me arrependo de não ter voltado mais e de, inclusive, não ter alocado um tempo maior para explorar o país inteiro.

  • Confira nossos relatos de viagem a Lisboa em 2016, clique aqui.

A cidade, fundada no século XII, evolui com o tempo, como um bom vinho armazenado nas barricas de carvalho. Fica cada vez melhor! Com boas atrações, bons serviços e bons preços, não é à toa que Lisboa se tornou um dos destinos turísticos mais populares em 2019, atraindo visitantes de todas as partes do globo.

Neste artigo, comento as lições que tirei da minha visita (julho/2019) e destaco as dicas para você aproveitar melhor a sua viagem.

1. Imigração

A imigração foi tranquila em Portugal. Desembarquei no aeroporto de Lisboa e nenhuma pergunta foi feita, ou melhor, uma: “Vocês estão vindo de São Paulo?”.

Entretanto, não espere que seja sempre assim. Existe um fluxo grande de brasileiros para Portugal com a pretensão de morar no velho continente. A maioria deles ilegalmente.

No ano passado, o número de brasileiros barrados em Portugal foi recorde. Foram 2.856 brasileiros inadmitidos em 2018, mais que o dobro de 2017 (1336). Esse rigor no controle de entrada reflete também pressões da própria União Europeia, uma vez que o passageiro pode estar meramente de conexão em Lisboa, dirigindo-se a outro destino europeu.

Os passageiros barrados são mantidos em “Centros de Instalações Temporárias” até serem enviados de volta ao Brasil. Definitivamente, não é uma experiência boa!

Portanto, ao viajar para Portugal, esteja munido do visto adequado! Se for para turismo, lembre-se que a isenção de visto vale para permanências de até 90 dias.

Além disso, na entrada ao país, poderão ser exigidos os seguintes documentos, segundo informação da Embaixada de Portugal no Brasil:

  1. passaporte com validade mínima superior em, pelo menos, 3 meses à duração prevista da sua estadia [ou seja, se você vai ficar 1 mês, seu passaporte deve ser válido para os próximos 4 meses];
  2. bilhete de viagem aérea (ida e volta);
  3. comprovante de hotel ou outra acomodação no país;
  4. comprovante de vínculo laboral ou atividade profissional no Brasil;
  5. comprovantes dos meios financeiros para suportar a estada, equivalentes a  75 euros por cada entrada em território nacional, acrescidos de 40 euros por cada dia de permanência.

2. Em alta temporada, tudo é caro e lotado!

Em alta temporada, especialmente em julho, tudo é mais caro. Você vai pagar mais pelas passagens aéreas, hotéis, passeios e talvez até mesmo nos restaurantes e bares.

Ademais, tudo é mais lotado. Quando desembarquei no aeroporto de Lisboa, tinha “gente saindo até pelo ladrão”. Para visitar as principais atrações, você certamente terá que enfrentar filas e filas.

Apesar de o clima ser quente e agradável, sem chuvas, minha sugestão é evitar o mês de julho.

Se você visitar Lisboa em maio ou setembro, no início ou no fim do verão, você poderá obter preços mais em conta, encontrar atrações não tão lotadas e ainda aproveitar um clima quente e com poucos dias de chuva.

O Lonely Planet recomenda visitar a cidade entre Março e Maio, se seu objetivo não for ir para as praias. O US News Travel, por sua vez, recomenda visitar Lisboa entre Março e Maio ou entre Setembro e Outubro.

3. Uber é bom e relativamente barato em Lisboa

Lisboa tem um bom sistema de transporte público que inclui, dentre os modais, ônibus, metrô, elevadores, bondes, barcos e trens. A propósito, sugiro adquirir o Viva Viagem, que é um cartão, semelhante ao bilhete único de São Paulo, que permite que você utilize alguns destes modais, fazendo as devidas conexões.

Entretanto, para chegar mais rápido ao seu destino ou para chegar a atrações não abrangidas pelo sistema de transporte público, recomendo você usar o Uber.

Mesmo na opção Uber X, você vai ser servido por carros bons sem pagar muito (relativamente aos preços da Europa). No mais das vezes, em menos de 10 minutos o veículo chegava ao ponto de embarque.

Usei o Uber para visitar o Palácio Nacional de Queluz e para visitar Sintra, em Portugal. Como estávamos em quatro pessoas, o valor foi diluído entre os passageiros, tornando essa, uma opção econômica.

Em Lisboa, também estão a operar outros aplicativos de transporte: Cabify, Taxify (Bolt), Mytaxi (Free Now) e Chaffeur Privé (Kapten). Não os utilizei, mas observei que os preços do Kapten eram ligeiramente mais baratos que os do Uber.

4.  Caminhar, subir e descer ladeiras

Calçada da Glória, Lisboa, Portugal
Calçada da Glória, Lisboa

Lisboa é uma cidade muito amigável ao pedestre. Calçadas amplas, em boa parte da cidade, e respeito às leis de trânsito tornam a experiência de explorar a cidade a pé muito agradável.

  • Sempre que vou a Lisboa, desço e subo a Avenida Liberdade, do monumento a Marques de Pombal até a Praça do Comércio.
Alfama, Lisboa, Portugal
Alfama

Lisboa, entretanto, é repleta de colinas. Se você quer explorar bairros como os de Alfama, Ajuda, Bairro Alto e Chiado, deve se preparar para subir e descer ladeiras. Esteja em boa condição física! Nestes locais, a propósito, as ruas são também mais estreitas e as calçadas mais curtas.

5.  Pastéis de Nata

Você não pode ir para Lisboa e deixar de provar os famosos pastéis de nata. Para quem nunca provou, fica um alerta: não são como os nossos pasteis de feira. São doces, mas deliciosos!

Pastéis de Nata, Lisboa, Portugal
Pastéis de Nata

Basicamente, são três os lugares onde você deve provar os pasteis de nata. Uma característica destes lugares é que você pode ver o seu pastel de nata sendo feito.

O primeiro é a Manteigaria, que tem unidades no Chiado (Rua do Loreto) e na Ribeira, no Mercado Time Out.

  • O termo “Manteigaria” se refere a um espaço destinado à produção e venda de produtos de leite ou manteiga e seus derivados.

O segundo é a famosa Pastelaria Pastéis de Belém, que fica no bairro de Belém, próxima ao Mosteiro dos Jerônimos. Esta é a mais famosa pastelaria, de modo que é muito comum chamar esses produtos de “Pastéis de Belém”.

O terceiro lugar é a Pastelaria Santo Antônio, que fica nos arredores do Castelo de São Jorge, no bairro de Alfama.

De todas as três pastelarias, a Manteigaria é a que mais se destaca. De fato, é considerada a 1ª. doceria de Lisboa no ranking do Tripadvisor. Ademais, destacou-se também numa comparação feita pela Revista Viagem e Turismo. É só elogios!

Mas, qualquer que seja a pastelaria, você não vai se decepcionar. Não deixe de apreciar os pastéis de nata de Lisboa!

6. Sorvete Italiano

Sorveteria Amorino, Lisboa, Portugal
Sorveteria Amorino, Rua Augusta

Se você gosta de sorvete italiano de qualidade, não deixe de ir à Sorveteria Amorino, na famosa Rua Augusta de Lisboa. Em Portugal, os sorvetes são chamados de “gelados”. Os gelados são cremosos e tem sabores marcantes.

Gelado na Amorino, Lisboa, Portugal
Gelado na Amorino: excelente surpresa na minha viagem a Lisboa

Por lá, você encontra também granizados, milk-shakes, chocolates, crepes e até mesmo Gelato Burgers.

Amorino é uma rede de sorveterias do tipo artesanal italiano, com unidades em vários países da Europa e da América do Norte.

7.  Pink Street, o local de baladas

Pink Street, Lisboa, Portugal
Pink Street

Pink Street o local onde se concentram as baladas em Lisboa. A rua chama-se Nova do Carvalho e fica na região do Cais do Sodré, com fácil acesso pela estação de metrô Cais do Sodré.

A Rua Cor de Rosa ganhou esse apelido porque tem os pisos pintados de rosa. Em 2013, foi revitalizada. O local, que antes era o habitat de prostitutas e marinheiros, ganhou um novo ar com discotecas, bares e restaurantes.

Pink Street, Lisboa, Portugal
Pink Street, Lisboa

Durante o dia, a rua fica vazia, mas à noite, lisboetas e turistas de todos os cantos se encontram ali ou nas ruas adjacentes até as altas horas da madrugada.

Dentre os seus estabelecimentos mais famosos, destaca-se a Pensão Amor. Há uma fila razoável para entrada.

Um ponto positivo é que não há cobrança de consumação ou taxa de entrada: você paga só o que consome. Outro ponto positivo é que são vários ambientes. Num deles, onde tocava a música, estava lotado, quase sem espaço para passar, mas havia outros espaços onde você ficava mais tranquilo. Os fumantes ficavam num terraço na parte externa, sem incomodar quem estava na parte interna.

Pensão Amor, Lisboa, Portugal
Pensão Amor, Lisboa

Salta aos olhos a decoração “sexualizada” da Pensão Amor. Havia, ainda, uma barra de “pole dance”, onde uma turista acabou fazendo um showzinho por lá. No primeiro andar, tem um sex shop.

Pensão Amor, Lisboa, Portugal
Pensão Amor: balada na minha última viagem a Lisboa

Ah, se você quiser conhecer a sua sorte, basta pagar 10 Euros.

Para quem gosta de baladas, acho que é uma boa opção.

8.  Drogas

Portugal é um país liberal no tocante à maconha. Desde fevereiro deste ano, o consumo de maconha medicinal se tornou legal no país e a produção é feita sob controle do Estado, sendo vendida nas farmácias. Foram abertas, também, lojas de produtos de marijuana (Cannabis Store) em Lisboa.

Entretanto, isso não significa que o país seja o paraíso das drogas, nem que todas estão liberadas.

Nesta última viagem, o que me chamou atenção foi que fui abordado por várias vezes, sempre em inglês, por pessoas oferecendo, inclusive, cocaína. A abordagem, porém, era sempre rápida e sem constrangimento. Eu, obviamente, fingi que nem escutei!

9.  Cartão Elo

El Corte Inglés, Lisboa, Portugal
El Corte Inglés

Nesta viagem, observei que os portadores do Cartão Elo possuem algumas vantagens em hotéis, restaurantes e no El Corte Inglés, uma loja de departamentos localizada nas proximidades do Parque Eduardo VII.

Num dos almoços, aproveitei a promoção no El Corte Inglés que oferecia uma garrafa de vinho gratuitamente para quem fizesse a compra com cartão Elo. Economizei 13 euros. No local, fui informado que essa promoção era válida para almoço ou jantar com valor superior a 50 Euros.

10. Compras

Uma das coisas que você não pode deixar de comprar em Portugal são os vinhos. Há vinhos portugueses de boa qualidade por preços muito baixos: menos de 5 euros a garrafa de 750 ml. Em outros países, há vinhos bons, mas não com preços módicos.

Em Lisboa, há diversas “garrafeiras”, que é como eles chamam as lojas que comercializam vinhos. Eu, particularmente, achei mais conveniente comprar no supermercado do El Corte Inglés, que tem uma enorme seção dedicada aos enófilos.

Seguem algumas indicações de vinhos portugueses:

1. Herdade dos Grous Alentejano Tinto (nota 3,9/9)
2. Herdade do Peso Trinca Bolotas Alentejano Tinto(nota 3,7/9)
3. Quinta dos Frades Vinha dos Santos Tinto (nota 3,6/9)
4. Casa Ermelinda Freitas Dona Ermelinda Reserva Palmela (nota 3,9/9)
5. Vega Douro (nota 3,6/5)
6. Casa Ferreirinha Callabriga Douro (nota 4,1/5)
7. Quinta das Carrafouchas Tinto (nota 3,9/5)

*As notas dos vinhos são do site Vivino.com. Vinhos com avaliação acima de 3,5 são considerados bons. 

11. Patinetes

A cidade está cheia de visitantes estrangeiros. Alguns deles usavam loucamente, em alta velocidade, os patinetes nas ruas e calçadas. Vi um quase ser atropelado por um carro, por andar na contramão.

12. Chip de Celular        

Ter um chip (SimCard) de celular com internet móvel é essencial nas suas viagens. Minha recomendação é que, logo no desembarque no aeroporto de Lisboa, você adquira o seu. A propósito, em Portugal, celular chama-se “telemóvel”.

Indico a Vodafone, que tem mais de uma loja no aeroporto. Geralmente, a que fica localizada no piso de desembarque é mais concorrida. Sugiro subir a escada rolante e procurar pela outra loja que está sempre mais vazia. Por 20 Euros, adquiri um chip com 5GB de Internet e 500 minutos para ligações, durante 30 dias.

A grande vantagem é que você pode utilizá-lo em toda a União Europeia sem custos de roaming.

13. Restaurante Sapore: excelente custo-benefício!

Uma grata surpresa em Lisboa foi o Restaurante Sapore, um italiano localizado ao lado do Parque Eduardo VII. Com aparência simples, mas com uma massa saborosa e com preços bem em conta.

14. LX Factory

Rua Principal, LX Factory, Lisboa, Portugal
Rua Principal da LX Factory, Lisboa

LX Factory é um dos locais mais badalados de Lisboa, no bairro de Alcântara. É um espaço descolado que concentra lojas, restaurantes, bares, escritórios e eventos, localizado às margens do Rio Tejo, próximo à Ponte 25 de Abril.

  • LX Factory era uma antiga fábrica de tecidos, a Companhia de Fiação e Tecidos Lisbonense, que ocupava vários galpões numa área de 23.000 m².
LX Factory, Lisboa, Portugal
Restaurante no LX Factory, Lisboa

Tive a oportunidade de conhecer a LX Factory na minha última viagem a Lisboa e adorei o lugar.  Como já tinha almoçado, não aproveitamos os restaurantes ou bares, mas me encantei com a famosa Livraria.

Livraria na LX Factory, Lisboa, Portugal
Livraria na LX Factory

Sem dúvida, a LX Factory é um espaço onde aflora a criatividade. Você pode apreciar arte, ler, almoçar, jantar, beber e até dormir. De fato, há um hostel no complexo chamado The Dorm.

Para chegar, você pode usar o Elétrico 15E a partir do Cais do Sodré e descer na estação Calvário. Mas, se você estiver com mais pessoas, talvez seja mais conveniente pegar um Uber.

15. Museu do Aljube

Museu do Aljube, Lisboa, Portugal
Museu do Aljube

O Museu do Aljube é um museu essencialmente destinado à memória da luta e resistência contra o regime ditatorial que vigorou em Portugal entre 1926 e 1974.

  • O nome Aljube vem do nome árabe “poço sem água” ou “prisão”.

O museu está situado numa antiga prisão, próxima a Catedral da Sé, no bairro de Alfama. O local foi prisão eclesiástica até o século XIX, tendo sido transformado numa prisão de mulheres. A partir de 1928, a ditadura militar destinou a prisão do Aljube a presos políticos e sociais, passando, com o tempo, a cadeia privativa da polícia política. Foi desativada em 1965 (fonte: Museu do Aljube).

História de Portugal no século XX, Museu do Aljube, Lisboa, Portugal
História de Portugal no século XX, Museu do Aljube

O museu dispõe de vários pisos com exposições em ordem cronológica.

O piso 1 apresenta Portugal entre a 1ª. e 2ª. Guerras Mundiais, quando se instalou o “Estado Novo” no país, um regime com forte inspiração no fascismo italiano.

No piso 2, apresenta-se a resistência e a atuação clandestina dos opositores à ditadura.

No piso 3, o visitante encontra a exposição da luta anticolonial que se travou nas colônias portuguesas da África.

25 de Abril de 1974, Revolução dos Cravos, Museu do Aljube, Lisboa, Portugal
25 de Abril de 1974, Revolução dos Cravos, Museu do Aljube

A exposição termina com a Revolução dos Cravos, um movimento, iniciado por militares, que pôs fim aos 48 anos de ditadura. Ocorreu em 25 de abril de 1974, de onde veio o nome da famosa ponte que liga Lisboa a Alfama.

“O cravo vermelho tornou-se o símbolo da Revolução de Abril de 1974. Segundo se conta, foi Celeste Caeiro, que trabalhava num restaurante na Rua Braancamp de Lisboa, que iniciou a distribuição dos cravos vermelhos pelos populares que os ofereceram aos soldados. Estes colocaram-nos nos canos das espingardas.” (fonte: Wikipedia)

O ingresso custa 3 Euros e a visita vale muito a pena, especialmente, para quem quer conhecer um pouco de história dos nossos irmãos portugueses.

Frase do Ditador Oliveira Salazar, Museu do Aljube, Lisboa, Portugal
Frase do Ditador Oliveira Salazar, Museu do Aljube

Museus com a temática dos direitos humanos são comuns em várias partes do mundo (Chile, Alemanha, Hungria, etc.). Em muitos deles, a entrada é franca.

  • Uma das suas principais funções é assegurar, no futuro, a liberdade, a cidadania e o respeito à dignidade da pessoa humana, além de evitar as manipulações da história pelos políticos de plantão. Edmund Burke já dizia: “Um povo que não conhece a sua história está condenado a repeti-la”.

No Brasil, a propósito, o único museu que trata do período ditatorial é o Memorial da Resistência de São Paulo, localizado na estação Júlio Prestes, na capital paulista, onde ficava o Departamento Estadual de Ordem Política e Social de São Paulo – Deops/SP, uma das polícias políticas mais truculentas do país (1940-1983).

Eu quero voltar…

Essas são as minhas dicas, observações e lições da minha última viagem a Lisboa. A principal delas é que quero voltar e, quando voltar, pretendo dedicar muito mais tempo para descobrir e curtir a capital portuguesa.

Se você tem dicas e lições de Lisboa, não deixe de escrever aqui nos comentários.

Author

Apaixonado por viagens e por fotografia. Começou a descobrir o mundo há 10 anos e já visitou 71 países. Gosta de caminhar a esmo pelas cidades mundo afora, observando as pessoas, as comidas, as construções e a arquitetura. É formado em Engenharia e Direito.

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